O bloqueio do Whatsapp e o brasileiro chorão

Logo que tomei conhecimento sobre uma determinação da Justiça obrigando as empresas de telecomunicações brasileiras a bloquear a conexão com o aplicativo Whatsapp, comprado há algum tempo por cifras absurdas pelo Facebook, sabia que seria um chororô coletivo. O brasileiro tem o hábito de achar que tudo é contra ele ou para prejudicá-lo.

Sem falar no alcance fantástico do software, e não só no Brasil. Pessoas de todas as idades e classes sociais utilizam. Empresas e profissionais liberais atendem seus clientes utilizando o Whatsapp como meio de comunicação. Do ponto de vista tecnológico e comercial, um sucesso inquestionável que já incomoda as operadoras de telefonia fixa e móvel.

Mas nem tudo são flores, o aplicativo funciona de uma maneira quase descentralizada, ou seja, o que você envia e recebe pelo Whatsapp não fica armazenado na estrutura de servidores da empresa, isso ocorre somente por um breve período até que a mensagem seja entregue ao destinatário, e ainda assim, criptografada, e estas informações não são armazenadas como um histórico. Portanto é aqui que começam os problemas.

O Facebook afirma que não é possível ler as informações trafegadas nos servidores do aplicativo por estarem criptografadas. De certo ponto de vista, esperamos realmente que um aplicativo que lida com informação de toda natureza se preocupe com a confidencialidade da informação de seu usuário, ou melhor, cliente, embora não pagamos nada por utilizá-lo. Esse mecanismo, porém, não pode ser utilizado como argumento universal para que seus proprietários se isentem de qualquer responsabilidade. Se ainda não há uma maneira de configurar grampos por determinação da justiça, os responsáveis deveriam se preocupar e desenvolver essa possibilidade.

A privacidade da informação não pode ser confundida como uma forma de se esconder da justiça, e as pessoas más sabem exatamente como tirar proveito desse conflito, certas de que suas atividades ilícitas estarão absolutamente protegidas, infelizmente, sob o rótulo da privacidade. Como minha vó já dizia: Quem não deve, não teme! E infelizmente um certo nível de vigilância, documentado e regulamentado, se faz necessário.

A determinação do bloqueio do “app” parece arbitrária em um primeiro instante: Caramba, que país atrasado esse nosso, irão bloquear o aplicativo, só no Brasil mesmo! Li manifestações como esta aos montes. Mas ao verificar melhor, percebe-se que o Facebook já havia sido notificado há meses pela justiça, que determinou que um investigado tivesse suas atividades no aplicativo “grampeadas” para uma investigação. Determinações como essa acontecem todos os dias para comunicação por telefonia fixa e móvel, por exemplo.

Mas o Facebook preferiu não atender à determinação da justiça, o que culminou com a determinação do total bloqueio do aplicativo por quarenta e oito horas, que ficou vigente por aproximadamente doze, até que conseguissem uma liminar liberando o Whatsapp. Esse bloqueio, portanto, ocorreu por desobediência da empresa, que parece não se julgar responsável pelo uso que fazem do aplicativo. Em minha avaliação uma boa maneira de provocar os responsáveis, pois só no Brasil são mais de 100 milhões de usuários.

Mark Zuckerberg, dono do Facebook, tratou de publicar uma nota em seu perfil em sua rede social, comentando que o dia 17 de dezembro era um dia triste para o Brasil, mas ele sabe na verdade que foi um dia triste para a empresa dele. O Facebook, nem qualquer outra corporação ou pessoa física, pode estar acima das leis de um país. Tanto sabe disso, que não menciona em sua nota que sua empresa, na verdade, estava sendo punida por ignorar uma determinação da justiça.

Não há portanto relação com outro problema que poderá em breve vir a afetar o uso do Whatsapp: A forma como o aplicativo funciona tem prejudicado empresas de telecomunicações. Quantos de nós já abandonou a conversa tradicional, discando para seu interlocutor, por mensagens de texto, voz, e mais recentemente até chamadas, utilizando redes de dados? As empresas de telecomunicações já se mexem nos bastidores, rotulando o Whatsapp de operadora pirata.

Vamos aguardar cenas dos próximos capítulos. Mas, vamos manter o bom senso o procurar compreender exatamente os motivos. Deixe nos comentários qualquer contribuição sobre o tema, a discussão bem fundamentada é sempre sadia.

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