Viagem internacional de carro, dia 03: Florianópolis – São Borja

Acordei cedo em Florianópolis, além de ter sido tomado pelo desejo de chegar logo à Argentina, havia também a necessidade de verificar o ar-condicionado do carro antes de seguir viagem, assim, deixei logo o hotel e fui direto até o profissional indicado pelo Léo no dia anterior. Cheguei e fui logo explicando que estava em viagem até o Chile e tinha certa pressa, com uma hora foi realizada uma recarga de gás então segui viagem.

Como não havia tomado café no hotel, cobrado à parte, perto de retomar o caminho das rodovias passei em um posto de combustíveis para abastecer o Omega, e na loja de conveniências havia uma lanchonete onde tomei meu café – o pessoal do sul faz um ótimo churrasco, mas o pão-de-queijo não se compara ao mineiro.

Vale lembrar que eu e Omega já conhecemos mais da metade da gigantesca rodovia BR-101 que corta o país de norte a sul. Depois de um curto trecho inédito, uma vez que risquei Porto Alegre do roteiro em razão de preferir chegar logo à Argentina, em um trevo ainda na região de Florianópolis saí em direção rodovia estadual SC-407, que proporcionou belas paisagens à medida que a altitude aumentava.

Não imaginava ver paisagens de serras como as vistas trafegando pelo interior de Santa Catarina, de alguma maneira inexplicável e tola, estados que possuem litoral só penso em praias, e Santa Catarina é bem mais do que isso embora não tenha explorado cidades longe da costa.

Interessante notar ainda as placas de trânsito no idioma espanhol com algumas advertências, principalmente com relação aos limites de velocidade, cuidados ao ultrapassar e proteção ambiental, sem dúvida em razão do frequente trânsito de automóveis vindos de países vizinhos, especialmente da Argentina.  A Polícia Rodoviária Federal fiscaliza a passagem dos estrangeiros nas barreiras e muitos deles são parados para verificação, passei a imaginar que seria assim também ao deixar o Brasil.

Já me aproximava da barreira de 1.500 quilômetros rodados, e no interior de Santa Catarina em uma das paradas para lanche e abastecimento, comecei a me preocupar com a distância, afinal, depois de percorrer esta distância era inevitável pensar que era necessário ainda voltar e houve o primeiro momento de dúvida em prosseguir. Então para permitir a conclusão de um objetivo mais cedo, troquei a ideia de entrar na Argentina por Uruguaiana e procurei atualizar minha bússola mental para São Borja, cidade mais ao norte do estado do Rio Grande do Sul.

A mudança significava reduzir a viagem do dia em 200 km, na prática era como descer rumo ao sul do continente do lado de lá do Rio Uruguai, na Ruta Nacional 14 e não pela BR-472. Esse trajeto já havia sido estudado, não foi opção por haver muitos relatos de corrupção da polícia argentina na região, claro, com alvo em brasileiros. Mas por outro lado, a mudança permitiria dirigir por menos tempo no terceiro dia, para reduzir as chances de problemas em território argentino, considerando que durante à noite seria mais difícil resolver qualquer situação, decidi também passar a noite no Brasil, em São Borja – entrei no carro e segui viagem.

Passei a fronteira entre os estados de Santa Catarina e Rio Grande do Sul e a viagem seguia um bom ritmo, embora a rodovia não fosse privatizada e houvessem buracos, um aqui e outro ali, além de imperfeições no asfalto, segui acelerando em bom ritmo. Muitas áreas de agricultura no Rio Grande do Sul e o tráfego intenso de caminhões pesados e extra-pesados. Também é comum ver caminhões cegonha trazendo ou levando automóveis entre os dois países.

A tarde foi caindo, o sol no horizonte refletia uma luz prata no asfalto gasto da BR-352 que parecia um espelho, o calor fora do carro era absurdo, o computador de bordo registrava 36 graus! Estava com muita pressa de chegar à São Borja, e assim, a velocidade do Omega foi aumentando cada vez mais.

Foi quando ao realizar uma ultrapassagem proibida para deixar para trás dois caminhões que transportavam porcos, recebi ordem de parada de um policial federal: Levei a primeira multa da viagem. No mesmo local, foram parados vários motoristas argentinos em pouco mais de dez minutos, tempo que fiquei aguardando o policial lavrar minha autuação.

Seguindo viagem pouco antes do entardecer cheguei em São Borja, cidade vizinha ao Rio Uruguai, que possui uma ponte de ligação com a Argentina. Logo que cheguei procurei um hotel para descansar um pouco, estava pensando em escrever um pouco sobre tudo o que tinha se passado até aquele momento da viagem, mas ao invés disso dormi um pouco e saí a noite para comer e beber.

A viagem estava no seu terceiro dia e já tinha percorrido aproximadamente 2.200 km entre Belo Horizonte e São Borja. Apesar de um grande frio na barriga e um insistente senso de proteção dizendo desista a cada dez minutos, a vontade de chegar a Argentina na manhã seguinte era maior que todas as dúvidas.

Ao retornar ao hotel depois de sair, liguei o computador e fiz uma nova leitura sobre as documentações, problemas e dificuldades que poderiam acontecer. Verifiquei novamente a documentação pessoal e do automóvel, e depois de algumas cervejas fiquei completamente relaxado. Pensei: Dane-se, se alguma coisa acontecer de errado ligo para o consulado!

Coisa de maluco, mas foi com esse espírito que peguei no sono para seguir viagem no dia seguinte, e finalmente, depois de três dias, cruzando a fronteira com a Argentina.

2 comentários em “Viagem internacional de carro, dia 03: Florianópolis – São Borja

  1. Com certeza uma viagem inesquecível. Estou acompanhando.
    Tenho uma correção. Moro em Itaqui, município vizinho de São Borja. Tu falou que ele fica mais ao norte do estado. Na verdade é o município que fica mais ao extremo oeste do estado.

    1. Olá Marcelo, obrigado por acompanhar. Sem dúvidas uma grande aventura!

      Minha ideia foi mostrar que São Borja é mais ao norte de Uruguaiana, não ficou compreendido dessa forma?

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