Viagem internacional de carro, dia 01: Belo Horizonte – Curitiba

Desde concluída minha viagem para o Chile a bordo do Omega, muita gente pedia que eu escrevesse sobre a aventura, e resolvi escrever primeiro no blog sobre o dia que cheguei aos caracóis chilenos (link aqui), pois na verdade esse foi o primeiro grande objetivo cumprido.

A ideia de cruzar o continente de carro entre os oceanos Atlântico e Pacífico e por consequência dirigir também em “Los Caracoles”, estava em minha cabeça há mais de dez anos. Apesar de um ideal antigo de alguma maneira nunca tive a coragem suficiente para fazer acontecer. Além das dificuldades normais, também havia a questão de ir sozinho, tentei algumas pessoas para viajarem comigo mas geralmente achavam a coisa toda muito maluca. Mas estar sozinho nunca me incomodou e foi então que decidi partir.

Embora a complexidade sugerisse, nunca houve preocupação de fazer extenso planejamento de percurso e tempo, paradas ou visitas a pontos turísticos. Queria dirigir meu carro e seguir a ordem dos acontecimentos – podemos nos preparar aos imprevistos de várias formas, no meu caso, estar preparado para aceitá-los foi a maneira mais confortável de seguir viagem. Chegado o dia da partida, decretei que nenhum problema seria capaz de acabar com meu bom humor ou atrapalhar de aproveitar cada momento. Mas apesar do espírito de liberdade, claro, havia um esboço do roteiro na cabeça:

Dia 1: Belo Horizonte – Curitiba

Dia 2: Curitiba – Florianópolis (Oceano Atlântico)

Dia 3: Florianópolis – Porto Alegre

Dia 4: Porto Alegre – Uruguaiana

Dia 5: Uruguaiana – Rosário (Argentina)

Dia 6: Rosário – Mendoza

Dia 7: Mendoza – Santiago (Chile)

Dia 8: Santiago – Viña Del Mar (Oceano Pacífico)

Apresentando e preparando a máquina

Meu companheiro de viagem foi o Omega, que para os menos entendidos de automóvel, trata-se de um sedã médio-grande lançado na Europa em 1986 e fabricado no Brasil entre 1992 e 1998. O motor de 4,1 litros já era antiquado à época, com origens na Chevrolet dos E.U.A. em 1929! Atualizado para equipar o Omega nacional entre 1995 e 1998, recebendo por exemplo a injeção eletrônica de combustível, apresenta qualidades como torque elevado e altíssima durabilidade.

Sua carroceria tem um coeficiente aerodinâmico notável, mesmo comparado aos automóveis atuais. É fácil perceber, em razão dessa qualidade, o silêncio à bordo mesmo em velocidades mais elevadas. O carro é pesado, e combinado com a suspensão independente nos eixos dianteiro e traseiro faz curvas muito bem. É relativamente seguro, pois além da suspensão notável o Omega conta com freios à disco nas quatro rodas com ABS.

A ergonomia para o motorista é muito boa, os bancos tem espuma de ótima densidade e são cobertos com um ótimo veludo, possui regulagem de altura do banco motorista e da coluna de direção, gosto do generoso apoio de braço e da espaçosa área para descansar o pé esquerdo ao lado do pedal de embreagem. Os instrumentos principais são grandes e fáceis de serem lidos, assim como os botões de controle de ar-condicionado. Há faixa degradê no parabrisas, e os retrovisores contam com desembaçamento térmico assim como o vidro traseiro.

O porta-malas é grande, e mesmo que estivesse viajando sozinho e portanto levando apenas uma mala pequena, tive como honrosa missão levar vários objetos pessoais de uma amiga de BH que estava de mudança para Santiago no Chile. Ela estava com receio de despachar objetos tão significativos e me pediu para levá-los comigo.

Para me preparar aos possíveis problemas mecânicos, separei algumas peças que poderiam apresentar defeito durante a viagem: Bomba de combustível, velas de ignição, relé de bomba, sensores de injeção eletrônica, lâmpadas em geral e um filtro de óleo, separei também minhas melhores ferramentas para qualquer necessidade de manutenção. No computador, tinha o manual de manutenção em PDF e o catálogo de peças da GM instalado.

O Omega sempre esteve em boas condições e antes da partida já tinha mais de 140.000 km rodados, é claro que foi realizada uma extensa manutenção preventiva na semana anterior com troca de óleo, alinhamento de direção, verificação da suspensão e balanceamento de rodas.

Carreguei o pendrive com músicas e bandas que mais gosto: Iron Maiden, RUSH e Megadeth copiei a discografia inteira. Levei ainda Neal Morse, Dream Theater, Steve Smith & Vital Information, Transatlantic, Opeth, Deep Purple, The Flower Kings, UFO, entre outras.

Com relação à documentação, fiz a emissão do Seguro Carta Verde, obrigatório em alguns países do Mercosul para carros estrangeiros. Foi necessário também pagar uma taxa do DETRAN para reemitir o CRLV do Omega retirando a observação de alienação bancária, então já em janeiro estava com o documento do ano corrente. Separei minha documentação pessoal atualizada.

Comprei um ConectCar da Ipiranga e o carreguei de créditos para não perder tempo em cancelas de pedágio pelo Brasil, pode parecer preciosismo mas em uma viagem tão longa, minutos são preciosos e passar nos pedágios sem parar é uma ótima opção.

O primeiro dia, Belo Horizonte – Curitiba

Saí de Belo Horizonte na manhã de 27 de janeiro, fiz questão de acordar sem utilizar despertador e não o utilizei durante toda a viagem. Tomei um café-da-manhã com minha mãe para uma despedida e me coloquei em movimento. O primeiro dia de viagem foi absolutamente tranquilo e foram necessárias aproximadamente onze horas para percorrer os 1.066 quilômetros entre Belo Horizonte e Curitiba.

Imprevistos do primeiro dia foram apenas de trânsito lento na saída de Belo Horizonte, próximo à Igarapé e depois na Rodovia Régis Bittencourt, em ambos os casos em razão de obras. Pela primeira vez andei no Rodoanel paulista e já próximo de cruzar a fronteira entre os estados de São Paulo e Paraná peguei um trecho com chuva.

Procurei no primeiro dia me educar a reabastecer o carro em todas as paradas, mesmo que o tanque ainda não estivesse vazio e sempre ter dinheiro em espécie comigo, pois já sabia que na Argentina e Chile, os postos de combustíveis em rodovias não são numerosos como no Brasil e poucos aceitam pagamento com cartão.

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