Iron Maiden: The Red and the Black e Empire of the Clouds

Quando o Iron Maiden confirmou as informações do álbum “The Book Of Souls”, incluindo o tempo de duração e autores de cada faixa, fiquei curioso imediatamente em duas faixas em especial: “The Red and the Black”, de autoria do chefão Steve Harris, e também “Empire of the Clouds”, do não menos genial, Bruce Dickinson.

Sabia que as duas músicas seriam especiais por serem criação dos maiores cabeças da banda, cada um com seu estilo próprio. Harris com sua pegada tradicional, e que, apesar de manjada é sempre ótimo ouvir, e Dickinson com seu poder de surpreender.  Sendo seguidor de longa data, não poderia estar enganado, e as expectativas foram confirmadas logo na primeira audição.

The Red and the Black

Com pouco mais de treze minutos de duração, “Red”, tem no início e final um breve solo de baixo acústico e durante toda a música, cavalgadas no baixo bem ao estilo do autor. Por ser o principal compositor da banda, é inevitável perceber passagens similares de outros temas da banda, inclusive clássicos como “The Rime of Ancient Mariner”.

A letra cantada por Bruce tem ainda o acompanhamento das frases por uma das três guitarras, algo como acontece em algumas músicas clássicas como “Prowler”. Esse tipo de acompanhamento em harmonia tornam as músicas inesquecíveis logo à primeira audição, é quase inevitável ficar cantarolando a música mentalmente.

Uma novidade, considerando ser uma música do Harris e de longa duração, é a ausência de uma seção lenta por volta da metade da música, a música é rápida, cheia de riffs e dobras de guitarra, os solos não podem faltar e são todos ótimos.

Por não haver longas introduções e também não haver parte central lenta, apesar de longo o tema não é cansativo. O tempo necessário para ouvir todo o tema passa rápido e várias vezes ouvi sem notar que são necessários treze minutos para concluir a audição, sem dúvida uma das melhores composições da banda, considerando também a fase de ouro, entre 1982 e 1988.

Empire of the Clouds

Quando vieram os comentários sobre uso de piano na composição do Bruce, fiquei absolutamente curioso sobre como seria o resultado da mistura entre esse instrumento clássico e o som do Iron Maiden. Mas fiquei também receoso por lembrar da sensação parecida quando vieram as primeiras informações sobre “Journeyman”, do álbum Dance of Death de 2003, dando conta que seria uma música acústica, mas que se mostrou uma decepção.

Mas ao contrário, dessa vez com Empire of the Clouds o tiro foi certeiro. Bruce, que é um entusiasta de aviação, sendo inclusive piloto profissional, abordou como tema o desastre do dirigível R101, ocorrido na frança em 1930. A tragédia culminou com a morte de mais de quarenta pessoas.

O uso do piano, além de algumas orquestrações ao longo da música é crucial para ambientação da letra. O piano domina o início da música e também está presente em quase toda a música. O ouvinte mais atento à letra é imediatamente transportado àqueles tempos. É como uma música de um curta-metragem, sendo praticamente impossível não embarcar na viagem proposta pelo compositor.

Depois da primeira sessão, os riffs de guitarra se apresentam de modo a elevar o espírito do ouvinte, é como um estado de euforia que se inicia com a partida do dirigível, apesar de alguns problemas e riscos discutidos pouco antes de deixarem o mastro: Excesso de carga, não realização de testes de voo a velocidade total? Dane-se, temos que cumprir o prazo para a partida!

Quando os primeiros problemas acontecem ao enfrentar uma tempestada sobrevoando a França, de maneira muito inteligente a música reproduz em código morse, forma de comunicação comum na década de 1930, o primeiro sinal de S.O.S.. Nesse momento a ambientação da música muda, os riffs demonstram a sensação de tensão, o R101 começa a perder altitude, até que um segundo S.O.S. é emitido.

O acidente é inevitável quando a música torna-se mais rápida, o R101 já sucumbindo à força da tempestade e Bruce ajusta-se ao clima, cantando como quem lamenta a tragédia que está por vir:

Feeling the wind as it rolls you
Feeling the diesels that push you along
Watching the channel below you
Lower and lower, into the night

Lights are passing below you
Northern France, asleep in their beds
Storm is raging around you
A million to one, that’s what he said

Após o trecho acima e uma excelente sessão instrumental, o clima da música, é novamente alterado e torna-se melancólico, descrevendo a tristeza das cenas do grande dirigível sendo consumido pelas chamas. O entusiasta Dickinson presta uma homenagem aos criadores do R101, ao cantar que apesar de os sonhadores tenham morrido, os sonhos permanecem vivos, a música se encerra com chave de ouro, apenas no piano, assim como começou.

Sem dúvida uma grande obra do Iron Maiden, e que irá ultrapassar gerações, apesar de não ter sido compreendida por alguns fãs. Em “Empire of the Clouds”, o Maiden alcançou seu ápice em descrever um episódio histórico, como nos melhores filmes.

Sei de alguns fãs que torceram o nariz para “Empire of the  Clouds”, pelo simples fato da questão do uso do piano, uma bobagem! De outro lado, os velhos críticos da banda, que sempre acusaram o Maiden de repetir suas fórmulas e se recursar a ousar, esta é uma música que demonstra coragem e capacidade de inovar.

Em minha opinião, assim como “The Red and the Black”, “Empire of the Clouds” destaca-se como umas das melhores composições do Iron Maiden em toda sua história. Uma ótima constatação para uma banda com tanto tempo de estrada,  além das duas músicas que são absolutamente fantásticas, o álbum “The Book of Souls” de maneira geral, é formidável.

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