Mineirão: De Volta para o Futuro

O filme “De Volta para o Futuro” foi um dos que mais marcaram minha adolescência e infância, sobretudo o segundo filme, onde Marty McFly e o Doutor Emmett Brown, viajam até 2015, ou seja, em nossa visão atual, em 2013, estamos pertinho dos tempos fantasiados pelo cinema em 1989.

Acho que nós seres humanos temos por força do hábito fantasiar o futuro como sendo melhor que os tempos atuais, é natural, estamos diariamente trabalhando para melhorar de vida, e o mundo sempre parece apresentar novidades que irão nos guiar a uma realidade melhor, mais fácil, mais agradável.

De certa forma, a restauração do nosso Estádio Governador Magalhães Pinto, o popular Mineirão, tinha como objetivo torná-lo melhor ao espetáculo. Melhor acessibilidade, melhores instalações, mais conforto para torcedores e atletas, um local onde as pessoas teriam prazer de chegar com bastante antecedência para curtir um dia de domingo com a família, onde o futebol fizesse parte do pacote.

Mas, ao chegar no futuro, ainda que incompleto pois várias coisas ainda estão sendo finalizadas no estádio, o torcedor percebeu que o futuro não era tão bom quanto a fantasia. Além de parte das obras ainda em andamento, a quantidade de vagas de automóveis foi diminuída, regras de estacionamento nas ruas próximas foram alteradas e as obras de acessibilidade, como os ônibus especiais do sistema BRT, ainda estão longe de serem concluídas.

As lojas, restaurante e lanchonetes não funcionam adequadamente, e embora o tropeiro esteja entre as opções do cardápio do estádio, além de ter sido reajustado em pouco mais de 40%, foram retirados vários ingredientes do tradicional prato servido no estádio velho: Carne, ovo, couve e molho de tomate e cebola são coisas do passado.

E até o gramado, que nunca apresentou problemas de drenagem até o fechamento para o início das obras, está ameaçado de ser removido e replantado. Não fosse a breve estiagem que chegou a Belo Horizonte no dia do clássico Cruzeiro X Atlético no domingo da partida, talvez o clássico fosse até cancelado.

A venda dos ingressos, uma bagunça. Na verdade, sempre foi, mas para esse tipo de situação sempre havia a desculpa que a administração pública, por meio da ADEMG, é assim mesmo, característica de coisa pública. Agora sob administração do consórcio Minas Arena, que agora passei a chamar de Minas Encrenca, a situação piorou, como se fosse aceitável. Um dos motivos é a irritante mania de copiar o exterior e vender ingressos com lugar marcado, mas venda com guichês de terceiro mundo, o atendimento de cada torcedor atualmente leva dez minutos.

Se eu tivesse um Delorean DMC-12 capaz de viajar no tempo, assim como faziam Marty e Emmet Brown, levaria rapidamente meu traseiro até 2010 e tentaria de alguma maneira impedir essa bobagem que foi entregar o estádio para a Minas Encrenca e a realização das tais obras de modernização, nem sempre algo mais moderno é melhor, e agora sabemos disso na prática. O Mineirão era muito melhor com o tropeirão de antigamente, com as arquibancadas e geral de antigamente, com ingressos não tão caros e 5.000 vagas de estacionamento.

Afinal, nem era ruim assim. É nossa mania de idealizar…

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