Etanol do inferno

Anunciado o reajuste do preço da gasolina nas refinarias, os postos já começaram a sanha por engordar seus caixas e iniciaram reajustes acima do anunciado pela Petrobrás, e antes também de comprarem a renovação de seus estoques. Práticas condenáveis, mas assim funciona o mercado. O Governo Federal, que já havia reduzido a CIDE sobre o combustível para neutralizar reajustes anteriores ao de agora, anunciou também que pretende voltar a mistura de etanol anidro na gasolina à 25%. Em 2012, o percentual foi reduzido a 20%.

A mistura do etanol na gasolina foi uma opção errada, uma falha estratégica, os motores flex, a mesma coisa. O motivo é simples, agora gasolina e etanol tem um vínculo difícil de ser quebrado. Os produtores de etanol produzem também o açúcar, e não possuem qualquer comprometimento com a economia do país, ou seja, o produto que estiver com melhor vantagem financeira, será priorizado.

E agora, com o esperado incremento de demanda pelo etanol em virtude do aumento do percentual do combustível vegetal na gasolina, e também como pelo possível aumento das vendas por causa do reajuste do preço da gasolina. O que vai acontecer? O preço do etanol também vai subir, já vimos esse filme:

Os usineiros vão discursar sobre problemas da safra e falta de incentivos federais para incrementar a produção. Também vão utilizar da conversa fiada da emissão de gás carbônico na atmosfera para reforçar a ideia que governos deveriam incentivar a produção do combustível com redução de impostos, e como temas “verdes” são a bola da vez, a população apoiará.

Acontece que o etanol recolhe menos, muito menos, ICMS que a gasolina. A situação é assim em quase todos os Estados do país, e mesmo assim o combustível não consegue ser competitivo. Em parte, o problema está com os motores que funcionam com gasolina e etanol, e que por este motivo não alcançam o melhor rendimento, consequentemente, o consumo de combustível é elevado nesses motores. Ora, se um combustível é pouco aproveitado pelos motores, é caro mesmo contando com vantagens fiscais, é susceptível a problemas de safra e ainda mercadológicas, qual o motivo de ainda utilizarmos, ou, nos preocuparmos tanto com isso?

Precisamos de uma política mais séria quanto à produção do etanol e também na questão fiscal dos combustíveis, se possível, incentivar a volta do automóvel monocombustível, com foco voltado à eficiência. Existem motores supereconômicos em outros mercados, mas que não podem ser simplesmente adotados aqui no Brasil, por essa política diferente do resto do mundo. Defendo também que automóveis de menor porte possam ser equipados com motores diesel, extremamente eficientes, como acontece em países desenvolvidos e até em países vizinhos, como a Argentina.

Esse nó é difícil de desatar. Só pode ser idea do diabo, esse etanol.

Deixe uma resposta

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s