Trólebus, Uninorte e o BRT de BH

Nasci em 1979 e durante boa parte da minha infância e adolescência tinha grande curiosidade por ônibus. Assim como outro amigo de infância, fazia réplicas com caixinhas de pasta de dente, em papel fazia desenhos completos de carrocerias, um deles até enviei para a BUSSCAR, meu fabricante preferido e recebi uma carta-resposta agradecendo.

Conhecia os anos de fabricação e fabricante de cada carroceria, o modelo de cada chassi, tinha vários motoristas como amigos os quais ia chateando durante meus percursos entre casa e escola. Tinha preferência por alguns modelos e era capaz de ficar aguardando horas até passar um modelo favorito. Durante o horário da tarde saía pela cidade procurando encontrar uma carroceria ou chassi diferente para dar uma volta.

Ontem, pensando no sistema de BRT que está sendo construído na Avenida Cristiano Machado, me lembrei dos trólebus que foram prometidos naquela via, na década de 1980, pelo então Governador do Estado de Minas Gerais, Newton Cardoso. Sim, ele, que segundo os populares: Rouba, mas faz.

O sistema de trólebus consiste em ônibus de propulsão elétrica, em São Paulo eles ainda existem em boa quantidade. Há cabos eletrificados suspensos em todas as vias onde circulam os trólebus, que, assim como acontece no metrô de superfície da cidade, o veículo se conecta aos cabos por alavancas que alimentam o propulsor elétrico. A pista para a circulação dos trólebus era exclusiva, a pista central, com piso asfaltico e baias de embarque e desembarque pavimentadas em concreto.

Ainda naquele tempo, haveria a ligação entre a região de Venda Nova e o centro da cidade com um sistema limpo e confortável para os passageiros, pois os ônibus são silenciosos quando comparados com motores de ciclo diesel, sobretudo naqueles tempos.

A política

Mas, se a política hoje é um assunto que causa revolta em muita gente, na década de 1980 era muito pior. O Governo de Minas Gerais comprou os ônibus, fez a adequação das pistas e instalou pela avenida os postes e os suportes do cabeamento elétrico. No entanto, a população nunca utilizou o sistema.

Ainda que existissem fatores que dificultassem a implantação do sistema como comentado à época e também atualmente em fóruns de discussão na internet, como o problema de passar o cabeamento pelo centro da cidade, é espantoso que o estudo de implantação não considerasse tais fatores. De 1986 a 1987 o dinheiro do Estado foi publicamente desperdiçado. Parece realmente que tudo foi feito sem critério em favor da população.

5501 – Uninorte

Com o cancelamento do projeto, os moradores da região de Venda Nova tiveram uma linha de ônibus com motores movidos à diesel, mas ligeiramente diferente do convencional de Belo Horizonte, o 5501 – Uninorte. As diferenças estavam no tipo de veículo aplicado, em um primeiro estágio apenas com ônibus Scania de motor traseiro, um tipo de veículo de maior capacidade e mais confortável. Havia ainda pintura diferente do habitual. A linha era operada por um consórcio de empresas, Uninorte, pois havia um maior custo para a operação de ônibus de porte maior.

Os anos foram se passando e a qualidade dos ônibus foi piorando, em substituição aos primeiros chassis Scania, vieram os primeiros Volvo B-58 e após 1998 a linha foi extinta. Atualmente, entre as linhas que foram criadas em substituição aos Uninorte, a linha 64, que opera com ônibus comum, com suspensão de molas e motor dianteiro, proporcionando pouco conforto, sendo piores que os antigos, em resumo: Piora no atendimento à população.

Nossos trólebus na Argentina e Campinas

Nossos trólebus de carroceria Marcopolo estão em operação na cidade argentina de Rosário e ainda no interior do Estado de São Paulo, em Campinas. A durabilidade dos veículos é tal que atualmente os argentinos estão restaurando as antigas carrocerias, tornando-as mais modernas e confortáveis, mantendo o mesmo sistema de propulsão elétrico que descartamos.

A eficiência do sistema BRT

Diante desse histórico, fica a dúvida: Será o BRT capaz de atender a demanda por transporte público muito tempo? Acredito que não muito, e vamos ter perdido muito dinheiro nas obras do sistema. A solução para as grandes cidades é mesmo o metrô, capaz de transportar muitos passageiros com rapidez. Os políticos estão apenas adiando a necessidade de expandir o metrô da capital, fazendo obras que podem ser inauguradas em seus mandatos onde funcionarão de propaganda eleitoral, ao custo do nosso próprio dinheiro.

Com imagens e informações do site “Trolebus brasileiros”: http://www.trolebusbrasileiros.com.br/sistemas_br_bh.htm

Imagens do “Uninorte” do site “O Melhor da Metrobel”: http://omelhordametrobel.blogspot.com.br/2012/03/5501-venda-nova-centro-linha-mais-bela.html

11 comentários em “Trólebus, Uninorte e o BRT de BH

  1. AMIGO/A, SUA INDIGNAÇÃO É A MESMA QUE ME CORROI A ANOS.VIVI E VIVO EM BELO HORIZONTE DESDE OS TEMPOS DO BONDE.ANDEI EM TODOS.ALÍ PERTO DO H P MILITAR EXISTIA UMA PONTE DE,MADEIRA ONDE UM BONDE FRIGORIFICOO PASSAVA TODOS OS DIAS PARA BISCARA CARNES E OUTROS DERIVADOS.APARECERAM PREFEITOS QUE ACABARM COM OS TRANSPORTES POR PURA GANACIA.HOJE, A CIDADE VIVE O CAOS. JÁ PROTESTEI SOBRE O SUMIÇO DO TROLEIBUS QUE ESTAVA GUARDADO NO DEPOSITO DA BH TRANS,MAS NÃO TIVE QUORUM. LAMENTO,MAS ESTES POLITICOS DÁ NOJO !!! BRT??? PORQUE NÃO LEVES SOBRE TRILHOS ???

      1. NÃO DERAM NEM SATISFAÇÃO.TALVES SEJA COMO EXPLICAR O SUMIÇO DO TROLEIBUS.
        AHH LAMETAVEL,O BRASIL É UM FRACASSO.

  2. MUITOS TRÓLEBUS ENFERRUJARAM NO PATIO DA MONTADORA POIS FICARAM ESQUECIDOS PELO GOVERNO A LINHA 5501 DECAI POIS AS EMPRESAS ACABARAM COM O CONSORCIO FICANDO SO A VENDA NOVA QUE QUEBRO E FOI ABSORVIDA PELA PASSOVERDE

  3. Senhores politicos, é uma vergonha o que voces estão fazendo com BELO HORIZONTE , este tal de BRT não vai valer de nada, é apenas para enganar o povo. Invista no METRO, que sera impossivel a sua construção da linha completa. Ou então aproveita estas obras faraonicas que estao fazendo e volta com o famoso TROLEBUS.

  4. Li sua matéria (ótima por sinal) e pesquisei um pouco na internet e achei o seguinte texto sobre o destino dos trolebus

    “Em 1.986, após conclusão de estudos para reimplantação de um novo sistema de trólebus na cidade, foi realizada uma concorrência para compra de novos trólebus para o futuro sistema a ser implantado, inicialmente na avenida Crisitiano Machado. Dentre as três empresas que apresentaram proposta – Mafersa, Cobrasma e Tectronic – foi vencedora a Tectronic que, em conjunto com a Volvo e Marcopolo, deveria fornecer 55 veículos à Metrobel. Devido à descontinuidade política, o resultado foi a paralisação das obras em 1.987, ficando os veículos encarroçados, ainda sem sistema de propulsão, nas dependências da Marcopolo (num total de 42 unidades).Posteriormente parte da frota (20 unidades) foram exportados para o sistema de trólebus de Rosário, na Argentina (a primeira exportação de trólebus brasileiros). O restante dos veículos (20 unidades) foi comprado pela Metra (ABC Paulista). Todos os 42 veículos foram equipados com sistema de propulsão fabricado pela Powertronics – empresa sucessora da Tectronic.”

    Apesar do dinheiro disperdiçado, pq obviamente a quebra do contrato teve multa, os trolebus ao menos transportaram passageiros em algum outro lugar.Segue abaixo o link do site

    http://www.trolebusbrasileiros.com.br/sistemas_br_bh.htm

    1. Eu também me informei sobre o destino dos trólebus. Interessante notar que, em Rosário, os mesmos trólebus circulam até hoje, passando por reformas de carroceria e modernização do sistema de propulsão. Com isso, concluo, que é uma bobagem realmente limitar o uso dos ônibus, ou trólebus, por anos de uso, tudo depende de como são conservados ao passar o tempo, e como podem ser modernizados. Sempre achei um tremendo erro limitar o tempo de uso dos ônibus por tempo de serviço.

      Quando da época dos ônibus “padron” em Belo Horizonte, diversos chassis SCANIA e VOLVO foram retirados de serviço sem que estivessem em estado precário, sendo a maioria muito mais confortável que os Mercedes-Benz de motor dianteiro e suspensão metálica tradicional, um retrocesso enorme, que a BHTrans e Prefeitura trataram de maquiar, dizendo que os novos motores “eletrônicos” são menos poluentes. Bem, não há como negar que a “histeria carbônica” tem lá sua utilidade.

      1. Tudo isso serve apenas para aumentar o lucro das empresas de transporte público pois onibus com motor dianteiro e suspensão metálica tem um custo de manutenção bem mais em conta e com maior valor de revenda que os com motor transeiro e com uma suspensão melhor. Tanto que vi uma matéria no site do Estado de Minas que dizia que as empresas de onibus encontraram uma brecha no edital do BRT e que pretendiam comprar articulados com motor dianteiro e suspensão metálica, com a mesma desculpa de redução de custos e menor emissão de poluentes( o que por sinal é bem idiota, já que com um transporte público de qualidade a quantidade de carros que deixaria de circular nas ruas já cubriria esse “aumento” da emissão de poluentes), mas parece que a prefeitura está tentando que ao menos os articulados tenham motor central ou transeiro, mas se no final vai ser assim temos de esperar para saber.

  5. somente uma cidade tão puta mesmo como Belo horizonte para disfazer de um excelente sistema de transporte feito o trolebus,uma cidade bem adequada para esse tipo de veiculo,pois temops os nosssos corredores baixo velocidade e precisamos de onibus que não polua o ar,essa cidade é burra mesmo,são paulo tem na europa tem por que aqui nãoserá por causa dessa merda de bhtrans então vão todos tomar.naquele lugar”

  6. essa cidade é uma cidade de políticos imbecis pois aqui é ideal para colocar ônibus elétrico bondes e vlts.esses políticos caipiras que veem do interior interferir na nossa capital não entenden de nada,temos que colocar este sistema de transporte, aqui o metro também

    1. Os trólebus teriam dificuldade em circular na área central, acredito. Além disso, as fiação aérea para que os veículos sejam alimentados tem um impacto visual muito grande. Pessoalmente, não gosto dessa solução de transporte.

      Com relação ao metrô, não acho que há tanta demanda em BH, mas posso estar enganado. Sempre que vou à São Paulo fico impressionado com a lotação do metrô em qualquer horário, e acho que isso não aconteceria aqui.

Deixe uma resposta

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s