Excesso de carros, excesso de passageiros… excessos

Sempre me irrito com a mania da imprensa brasileira em definir a razão dos problemas como excessos.

Nas grandes cidades, o culpado pelo trânsito caótico é o excesso de carros nas ruas. O problema da superlotação do transporte público é o excesso de passageiros. O problema dos acidentes nas rodovias é o excesso de velocidade.

Acho que há um excesso de burrice

O problema no trânsito das cidades brasileiras não tem relação com quantidade de automóveis, não se deixe levar por essa bobagem. O que existe na verdade é falta de inteligência. Exemplo: Semáforos incapazes de estabelecer um sincronismo para contribuir com a fluidez, tecnologia disponível, não existem. E os radares, obrigando a todos a circular em velocidades ridículas, ao mesmo tempo em que os automóveis tornam-se cada vez mais seguros, hoje protegem melhor até mesmo uma vítima de atropelamento.

O problema com a superlotação do transporte público é a falta de competência dos governos em adotar soluções adequadas à demanda. Transporte de massa como metrô no lugar dos ônibus lentos e sujeitos ao humor do trânsito, e da burrice no gerenciamento citado anteriormente. Em Belo Horizonte, por exemplo, estão gastando uma enorme quantia de dinheiro para implantar um sistema de ônibus rápido que, todos sabem, será incapaz de atender a população, se for capaz, será por pouco tempo.

Os acidentes nas rodovias não é um problema exclusivo do excesso de velocidade. Excesso de burrice, ou de interesse, está em obrigar o cidadão em um automóvel moderno a circular em uma rodovia a 100 km/h. As rodovias estão, em sua maioria, em condições ruins de tráfego. E não estou falando de buracos ou falta de sinalização adequada, é no alicerce da coisa. Curvas mal feitas, água que não escoa em situações de chuva, caminhões velhos circulando em velocidades abaixo da metade da velocidade máxima. Os motoristas, coitados, pagam no mínimo mil reais para terem uma CNH, e não estão preparados para pegar uma rodovia. Que vestibular é esse, do trânsito?

Mudando o foco

Há necessidade urgente da mudança do foco, deixar de preocupar com o excesso e começar a concentrar esforços no mínimo.

Ninguém gasta dinheiro com carro para ir ao trabalho todos os dias apenas por prazer, tá, meia dúzia fazem isso. Mas vamos pensar em impostos que incidem sobre a propriedade do automóvel, adquirir o bem em si, ter um seguro para evitar os amigos do alheio, vagas de estacionamento rotativo, radares a cada quilômetro. Um inferno manter um automóvel. Só vale a pena pelo conforto, que não é proporcionado pelo transporte público. Todo mundo em início da vida adulta sonha em ter um carro para ficar livre do transporte público, e não podemos culpar essas pessoas.

O transporte público ainda é a opção mais barata para se deslocar pelas grandes cidades. Quem ainda não entrou na faixa que permite bancar um automóvel, vai de transporte público. Cada dia mais há pessoas economicamente ativas, que precisam ir ao trabalho. O poder público não demonstra interesse prático em resolver o problema. Os metrôs das capitais crescem em um ritmo muito aquém da própria extensão populacional, é óbvio que vai se tornar lento e lotado. Transporte público por ônibus em capitais está morto, só faltam enterrá-lo.

As rodovias, péssimas! Exceto por algumas poucas rodovias privatizadas, que pagamos caro para utilizar, o panorama é triste. Mesmo em rodovias com bom estado asfáltico, é perceptível a falta de compatibilidade entre rodovias e automóveis modernos. Curvas mal feitas são regra, desníveis entre as cabeceiras de viadutos, idem. A velocidade por si só não é responsável pelas mortes. Mas, “blame is better to give than receive” escreveu Neil Peart em Freewill.

O papel do brasileiro é cobrar dessa corja maldita que controla o país, os estados e os municípios. Negar essa informação viciada da imprensa brasileira que o excesso “disso e daquilo” provoca todos os problemas do nosso cotidiano. Os problemas existem, as soluções também, basta ter um pouquinho de boa vontade – e senso críticos de nós, eleitores, não somos vítimas. O país precisa crescer e as demandas estão crescendo também.

Deixe uma resposta

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s