Trânsito não é apenas velocidade máxima

Há algum tempo os motoristas acompanham uma diminuição constante nas tolerâncias de velocidade máxima em ruas, avenidas e rodovias do Brasil. Venho sempre questionando essas alterações, pois realmente é algo que não compreendo. Ao contrário, em vários meios de transporte, a tendência natural para conseguir agilizar e transportar mais em menos tempo foi aumentar a velocidade de deslocamento, não parece óbvio?

Os aviões que cruzavam países com hélice em velocidades e autonomias bem inferiores as de hoje, evoluíram para os modelos à jato. A velocidade incrível não foi obstáculo, readequar o monitoramento do espaço aéreo, aeroportos e treinar pilotos foi necessário para suportar essa necessidade.

O transporte ferroviário seguiu a mesma tendência. Trens cada vez mais velozes na Ásia conseguem transportar pessoas de maneira mais eficiente até que os aviões. Os japoneses não limitaram a necessidade de transporte rápido ao veículo, adaptaram as vias para suportar maior velocidade.

Já na questão de segurança, as melhorias foram diversas. Tanto no transporte aéreo, ferroviário e incluindo também o automotivo. A indústria investe pesadamente nos mais diversos dispositivos de segurança ativa e passiva, permitindo, no caso dos automóveis, o motorista cometer até certos excessos ou erros, pois a eletrônica cuida da correção preservando o bem estar dos ocupantes e evitando acidentes.

Na avião os pilotos conhecem estes dispositivos e sabem bem como utilizá-los, o mesmo não acontece com a maioria dos motoristas de automóveis. ABS, EBD, TCS e airbags são apenas exemplos de siglas para serem exibidas no painel ou em emblemas na carroceria do automóvel.

Com base nesse breve histórico, acho que fica fácil concluir que estamos no caminho oposto em nossa política de trânsito, onde apenas a velocidade máxima é responsável por acidentes e tantas mortes. Os radares, hoje a única forma de fiscalização ativa em rodovias, transforma a vida do motorista num verdadeiro inferno.

Notadamente existe um apetite de arrecadar dinheiro através das multas aplicadas por radares. Só não vê quem não quer. E obviamente, assim como existem políticas arrecadatórias que se ocultam sob o discurso da velocidade máxima como principal fator causador de mortes no trânsito, existem os que justificam excessos sem razão.

Paralelamente à mudança da visão sob o trânsito, é urgente ainda agilizar as punições aos que provocam morte no trânsito. Muita gente ainda ingere bebidas alcoólicas antes de dirigir ou comete excessos irresponsáveis na certeza da impunidade.

Se realmente houvesse preocupação com segurança no trânsito, estaríamos cuidando de todo o contexto.

Um comentário em “Trânsito não é apenas velocidade máxima

  1. A prefeitura de BH está especialmente empenhada em literalmente parar o trânsito da capital, com o aumento dos radares, a diminuição das velocidades máximas em ruas e avenidas comuns e a instalação de dezenas de quebra-molas. Enquanto isso, parece que ninguém percebe qual é o real grande problema do trânsito da cidade: os péssimos motoristas que fecham cruzamentos, se arrastam até o sinal fechar, quase param o carro para dobrar esquinas e contribuem mais do que qualquer outra coisa para que os engarrafamentos se formem e perdurem. Não é velocidade (que obviamente NÃO MATA ninguém), não é excesso de veículos; é a combinação de péssima gestão com falta de habilidade, dois fatores vergonhosos.

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