Gosto mesmo do câmbio caseiro

A vida cotidiana é corrida e estressante. Não raro chegamos a conclusão que o tempo é curto e que estamos exaustos dessa rotina diária. É com foco nessa situação que a cada dia que passa, novas maneiras de tornar automáticas certas tarefas tem maior influência sobre a decisão de compra de um automóvel.

É assim com o câmbio automático, entre outras funcionalidades. O câmbio automático no Brasil tinha pouca representatividade das vendas há até uma década, mas este quadro vem mudando. Segundo estudos da General Motors do Brasil para desenvolvimento do Chevrolet Cobalt, 40% dos consumidores apontam o câmbio automático como um item importante na definição de compra.

Mas, como tudo na vida, há os momentos onde se busca uma solução à moda antiga. Assim como procuramos uma cidadezinha do interior para passar alguns dias de férias e ter o prazer de ficar preguiçosamente deitado na rede vendo o tempo passar, é recompensador o sujeito se dar o direito de zombar da vida cotidiana quando possível. Então ainda existem os que preferem o câmbio manual ao automático. Eu estou entre essas pessoas.

É claro que inserido no trânsito infernal de Belo Horizonte, por várias vezes passou pela minha cabeça a idéia do Chevette ou do Omega com câmbio automático. Mas, e daí? E quando houver um raro momentos de prazer ao volante, de pista livre? Vou ser tolhido do prazer de acionar a embreagem – engatar as marchas e, suavemente, acoplar novamente o conjunto motor e câmbio?

O câmbio automático, ou automatizado, é um item de conforto sem dúvida e não se discute sua utilidade. Mas ainda prefiro o “câmbio caseiro”, como se fosse um prato antigo feito pela minha saudosa avó paterna, seus bolinhos de carne.

E mesmo os automáticos com suas borboletas de acionamento – como na F1, adora o marketing – é algo que torna frio o meu relacionamento com o automóvel. É tudo perfeito demais, perde-se um pouco da graça do ensaio homem e máquina. Sem falar no insosso botão “S” para acionar o modo esportivo.

Os fabricantes já entenderam o recado, inclusive tornando impossível certas configurações com câmbio manual, o que lamento muito. Por exemplo: Hoje não é possível configurar um Cruze LTZ, o mais completo da linha, acoplado ao câmbio manual de seis velocidades. É simplesmente irracional, já que a versão de entrada tem a mesma motorização, sendo equipada com o câmbio manual.

Enquanto isso, vou sentindo o prazer de passar marchas manualmente no velho e bom seis cilindros em linha do Omega. Quando estiver irritado no trânsito diário, vai bastar me lembrar que as rodovias estão livres, e que assim que houver uma folga, vamos para estrada passar momentos de intimidade máquina e homem.

Imagem: Raphael Hagi

Vou praticando o melhor tempo das trocas, o exato momento de acoplar o câmbio ao motor, respeitando um ao outro em erros e acertos, nem sempre “just-in-time”, nem sempre perfeito. Mas vou me deliciando como fosse os bolinhos de carne da vovó!

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