O que há de errado com os concessionários?

No último final de semana, tentei ajudar um amigo a encontrar um automóvel zero quilômetro para a esposa. Uma tarefa difícil, já que segundo ele, não importa as características do carro, como por exemplo, o modelo de carroceria.

Comparamos hatches, sedans e peruas. Tudo no mesmo balaio. Como pré-requisitos, o novo carro deveria ter bolsas infláveis (airbags), sistema antibloqueio dos freios (ABS), e o que já se tornou exigência básica de quem compra um carro um degrau acima dos chamados populares: Vidros, retrovisores e travas elétricos, ar-condicionado e direção hidráulica.

A tarefa seria menos enfadonha, não fosse a forma de trabalhar dos concessionários. Será ótimo o dia que for possível comprar um automóvel exclusivamente pela internet, com frete grátis e entregue em casa. Imagine o caminhão reboque chegando com seu zero quilômetro na sua rua, demais. Poderiam os fabricantes disponibilizar carros para aluguel com um preço atrativo, possibilitando o comprados interessado a fazer um test-drive de verdade, indo com o carro alugado de casa para o trabalho, por exemplo.

Há muitos anos não participo do evento “comprar um zero quilômetro”. A última vez, salvo engano da data, foi em 1996, quando meu pai comprou uma picape D-20 para a loja na qual trabalhava. O utilitário foi comprado na Motorauto, concessionário que não existe mais em Belo Horizonte.

O pessoal de lá já conhecia meu pai e também o pessoal da loja, então não houve chateação. Ainda exigimos que não fosse aplicado ao veículo qualquer adesivo de propaganda do concessionário, a Motorauto tinha uma mania horrível de colocar um enorme adesivo estilizado da marca Chevrolet no vidro traseiro dos automóveis vendidos por eles.

Os concessionários

Hoje, quando você entra no salão de carros novos, sempre há uma atendente que faz a recepção das pessoas para conseguir seus dados, como número e telefone, é aí começa a chateação, pois começam a ligar insistentemente perguntando: “O que falta pra gente fechar”. Ora, um vendedor não precisa ser chato para alcançar resultado, pelo contrário.

No caso da concessionária Grande Minas da Chevrolet por exemplo. Solicitamos test-drive no Astra e Agile. Para nossa surpresa, o test-drive que permitem o futuro cliente fazer acontece dentro do pátio da Grande Minas, em meio aos carros em estoque, é impossível passar de 30 km/h.

No caso do Agile, foi disponibilizado um automóvel zerado, pois não havia unidade para test-drive, o carro foi dirigido com plástico nos bancos, será que não consideram importante sentir também o conforto que um bom estofamento pode oferecer?

Achei bizarra a forma que no deixaram dirigir os dois carros, se isso é uma regra entre os concessionários da marca, talvez isso explique de alguma maneira o declínio da Chevrolet. Ninguém com bala na agulha pra comprar um zero quilômetro aceita testar o carro de maneira tão superficial.

Também são marcantes algumas ações de “marketing” dos concessionários. Não entendo do assunto, mas são situações bizarras que não consigo compreender uma forma de retorno.

Passando de carro na Avenida Antônio Carlos, onde está localizado um bom número de concessionários de diversas marcas, vimos meninas agitando bandeiras na porta das lojas, tal qual campanha política. Será que realmente alguém compra um automóvel em virtude de ter visto bandeiras sendo agitadas?

E o que dizer dos folhetos distribuídos em semáforos. Geração de lixo, uma espécie de marketing usado até por mercadinho que vende dúzia de ovos por R$ 1,99. É lamentável que o concessionário procure seu público dessa maneira.

Já vi ainda concessionários que saem com carros de test-drive pelas fazendo um buzinasso, ou com instalação de equipamentos de som na calçada, tocando música de qualidade duvidosa. Será que vale qualquer coisa para chamar a atenção? Eu acho que não! Talvez por hoje se vender financiamento, e não automóveis, a coisa ficou assim, com essa cara de feirão popular.

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