Favoritismo não combina com vitória – Cruzeiro eliminado

O favoritismo no futebol mais atrapalha que ajuda, principalmente no futebol brasileiro. Especificamente no caso do Cruzeiro, nosso retrospecto recente demonstra exatamente isso.

Em 2009, nas finais da Copa Libertadores, o empate na Argentina diante do Estudiantes era a faísca necessária para inflamar a torcida celeste de otimismo, pessoalmente, fiquei cabreiro. A maioria, confiante, lotou o Mineirão, o clube até instalou telões na área externa do estádio. A festa estava armada, o título seria comemorado em casa, fácil.

Kléber, nosso principal jogador à época ainda esnobou um gol perdido na Argentina, que seria o da vitória, dizendo que o tal tento não faria falta… Infelizmente, em 2009 o ambiente de favoritismo contaminou os atletas. Perdemos em casa, colocamos a viola no saco e ainda tivemos que suportar o escárnio atleticano.

Já em 2010, quase um ano depois, Adilson Batista, técnico que fora mantido no cargo para a temporada seguinte à perda do título da Libertadores no ano anterior, certo de que o time seria capaz de passar pelo Ipatinga nas semifinais do Mineiro daquele ano, escalou uma equipe de reservas, perdeu a partida e amargamos o time de fora das finais do “rural”, como o presidente, Zezé Perrela, classifica o campeonato Mineiro.

Chegamos em 2011 com um time que a princípio não empolgava, porém resultados positivos mais uma vez inflamaram a torcida. Goleadas na primeira fase da Libertadores e mais algumas no campeonato Mineiro foram suficientes para torcedores discutirem qual seria o adversário nas finais do Mundial Interclubes. Não aprenderam nada com os dois anos anteriores?

A eficiência do futebol não está em goleadas, está na regularidade e alcance de objetivos. Tivesse o Cruzeiro classificado com a corda no pescoço em segundo lugar no grupo, talvez estivesse mais ligado agora na fase do “mata-mata”. Em 1997, quando fomos campeões continentais pela última vez, o time celeste estava desacreditado pela maioria, eu inclusive, mas a equipe se superou e levantou o caneco.

O time até então já estava sendo considerado “o Barcelona das Américas” entre outras bobagens, entrou na partida com um futebol ruim, longe do que a torcida estava habituada e contra um adversário duro. Talvez as ausências de Thiago Ribeiro e Walisson, destaques da Libertadores até aqui tenham pesado negativamente, mas uma equipe precisa de peças de reposição.

Ao tempo que o time jogava mal, o Once Caldas dava trabalho e por algumas vezes fomos salvos pelo goleiro Fábio, o melhor camisa um do Brasil há bastante tempo. Reinteria, que ironia, jogou muita bola e criou diversas situações. O clima tenso da partida afetou os atletas e Roger foi expulso, merecidamente, após cometer duas faltas criminosas.

O time seguiu jogando um futebol ruim por todo o primeiro tempo, e com um jogador a menos a tarefa passou a ser ainda mais complexa, mas o placar zerado era favorável ao Cruzeiro.

No segundo tempo o time aparentava estar mais tranqüilo e consciente de suas ações, mas ainda assim não conseguia furar a defesa colombiana, mesmo com a expulsão de um atleta do Once Caldas, equilibrando as forças novamente, dez contra dez.

Mas a igualdade de jogadores em campo não foi suficiente, o Once Caldas abriu o marcador e ainda chegou ao segundo gol. A partir daí foi desespero celeste com boas jogadas eventuais, mas nada de brilho. Mas aos trinta e sete minutos, Gilberto marcou um golaço, mas teve a posição de impedimento assinalada pelo assistente, erradamente.

Foi quando o desespero tomou conta com discussões em campo, jogadas sem objetividade clara, até que o técnico Cuca bisonhamente agrediu o atacante Reinteria na lateral de campo, um claro sinal que ninguém no gramado acreditava na classificação.

Agora o Cruzeiro tem a missão de ser campeão do “rural”, que passa a ter um valor muito maior do que o Zezé Perrela atribui ao campeonato. É contra o maior rival, o time deverá demonstrar que é realmente melhor.

Já a Libertadores para os torcedores do Brasil, só aqueles que torcem para o peixe santista. Em um único dia, foram eliminados: Internacional, Grêmio, Fluminense e Cruzeiro. O campeão da Copa do Brasil passa a ser o único representante, a segunda pior campanha entre os times brasileiros durante a fase de classificação. É assim o futebol, e não é injustiça.

Pergunta: Será que em outra situação para o jogo contra o Once Caldas, Thiago Ribeiro e Walisson estariam mesmo vetados?

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2 comentários em “Favoritismo não combina com vitória – Cruzeiro eliminado

  1. Futebol é foda justamente por isso, é impossível acertar sempre heeh! Quem entra como grande favorito em decisão pode ver tudo desabar em 5 minutos. Até na Copa do Mundo é assim: todas que o Brasil ganhou, talvez com exceção só de 1962, a seleção saiu daqui desacreditada. Quando foi favorita, dançou.

  2. As melhores palavras para atribuir ao Cruzeiro até o momento foram as suas, concordo com tudo que foi dito e acrescento: Se continuar nesse “salto´´ que entrou em campo ontem pode ter certeza que nem o mineiro ou “rural´´ vai ter esse ano…

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