Os gargalos dos combustíveis e transporte

Com os aumentos em combustíveis que estamos assistindo nesse primeiro semestre de 2011, passamos a acompanhar mais de perto os assuntos relacionados a tudo que influencia os preços e fica claro, pelo menos para mim, que não há uma solução fácil.

A última notícia é que o país está importando mais gasolina para suportar a crescente demanda, já que automóveis bicombustíveis passaram a ser abastecidos com gasolina desde que este passou a ser mais vantajoso.

Interessante notar que Petrobrás procura segurar o preço do combustível fóssil, com o mesmo preço desde junho de 2009. Sinal que o governo tem preocupação em não repassar a volatilidade do mercado do petróleo aos consumidores, mas faltava algo similar para o etanol, e felizmente a presidente Dilma atenta ao problema editou medida provisória para tratar melhor o assunto.

Ainda não somos capazes

Não somos capazes de produzir toda a gasolina que necessitamos, daí a necessidade de importarmos o produto em situações de consumo elevado, como em momentos de entressafra com até poucos dias atrás, em 2010 também tivemos o mesmo problema, contornado pelo governo co ma redução da CIDE, passamos despercebidos.

O etanol, uma alternativa a gasolina, é de produção sazonal, e o pior: Da cana-de-açúcar ainda se produz o açúcar, que quando se torna mais interessante para os produtores, passa a ser um concorrente do próprio etanol, regra de mercado: Oferta a procura.

Acontece que independente da alternativa, sempre há um gargalo como resultado.

Só gasolina, não dá

Não podemos apenas dar uma banana para os usineiros: Em virtude de milhares de motores já adaptados pelos fabricantes do país, os motores modernos brasileiros teriam problemas para consumir gasolina pura. Batizávamos a gasolina com 12% até 1991, e erradamente aumentamos a proporção para até os 25% de hoje em dia.

Nossa gasolina passou a ser única no mundo, demandando investimentos exclusivos da indústria para adaptar motores ao nosso mercado, ao mesmo tempo em que o combustível também passou automaticamente a ser vítima da sazonalidade e volume das safras da cana-de-açúcar para produção do etanol anidro adicionado à gasolina.

Se fosse possível simplesmente deixar de misturar o anidro à gasolina, o consumo de gasolina aumentaria exponencialmente, passando o Brasil a importar o combustível de fora para suprir a demanda. Nossa frota maior que a capacidade de produção.

Além disso a gasolina produzida aqui é ruim, possui muito mais enxofre que a gasolina produzida no primeiro mundo, investimentos em construção de novas refinarias e adaptação das atuais por parte da Petrobrás prometem solucionar a questão até 2014, onde nossa gasolina e óleo diesel, devem passar a ser de qualidade semelhante aos produtos vendidos no primeiro mundo.

Só etanol, não dá

O etanol não é substituto para a gasolina, simplesmente por ser um produto sazonal. Imaginem uma safra aquém do esperado em virtude de situações factíveis, como uma catástrofe natural por exemplos, nossos automóveis ficariam parados? O combustível seria vendido a preço de uísque?

O Brasil é o maior produtor de etanol, países como Estados Unidos o produzem de milho, com produtividade bem inferior à cana-de-açúcar, não teríamos de onde importar em quantidade razoável. Da mesma forma, não é viável devastar todo o território para plantio da cana-de-açúcar, e os demais produtos da agricultura? Criação de gado?

Até a conversa de que o etanol é um combustível ecologicamente correto, é bobagem. A Europa está cada vez mais utilizando automóveis de pequeno porte com motores de ciclo diesel, poluindo o mínimo e com excelentes marcas de médias de consumo. Carros de tamanho médio registrando 20 km/l.

Aqui, não podemos ter carros pequenos movidos à diesel. O combustível recebe incentivos fiscais, já que a maior parte de tudo o que produzimos é transportada em caminhões. Ferrovias, aniquiladas, mais uma estratégia errada de décadas passadas. Aliás, endinheirados e seus picapes de mais de 100 mil reais recebem esse mesmo benefício do combustível, já os que andam nos chamados populares pagam CIDE.

O transporte público de qualidade é o caminho

Imagine se todo proprietário de automóvel que se desloca diariamente de casa para o trabalho fizesse opção pelo transporte público, o colapso é inevitável. Em Belo Horizonte, o transporte público apresenta lotação máxima em horários de pico, pessoas saindo pelo ladrão, um calor infernal. Simplesmente não se esperaria que fosse capaz de atender a demanda extra de motoristas que desistissem do transporte particular.

Acho que o governo, além de regular a produção do etanol e controlar ainda estoques regulatórios, deveria investir maciçamente em transporte público de massa de qualidade. Belo Horizonte não possui um metrô eficiente, sendo uma das principais capitais do país. Mesmo São Paulo, o maior metrô do Brasil, não é suficiente, não cobre a cidade como nas maiores metrópoles do mundo.

Tornar o transporte público eficiente, naturalmente passa a ser uma alternativa interessante a todos. O automóvel tem gastos de manutenção, perde valor de mercado, é um péssimo negócio. Pode ser considerado luxo, e as pessoas fazem essa opção pela total ineficiência do transporte público, não por gostarem de gastar dinheiro.

O futuro aponta para o transporte público. A gasolina é um recurso finito, não vamos simplesmente devastar todo o país para plantio de cana-de-açúcar. De modo que a tendência é mesmo que os combustíveis, pelo menos os conhecidos e viáveis hoje em dia, fiquem cada vez mais caros.

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