Golpe na maldição energética

Por: Bob Sharp

Ainda no dia 26 falei sobre etanol e flex, como a indústria do etanol enfiou descaradamente a mão no bolso do consumidor com aumentos abusivos e o que o governo estava pensando em fazer, deixando os usineiros preocupados. Pois ontem a noite saiu a notícia mais alvissareira que se poderia ouvir, a de que o etanol deixa de ser considerado produto agrícola e passa a ser combustível, por isso ficando de rédeas curtas.

Conforme publicado hoje no Diário Oficial da União, agora cabe à Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) o controle do etanol, literalmente acabando com a farra da sua indústria. O controle abrange comercialização, estocagem e exportação, de modo a garantir abastecimento e estabilidade de preços e, mais, fiscalizar e controlar as metas das usinas. Está vendo o que dá ir com muita sede ao pote? Aplausos para a Medida Provisória do Executivo e a certeza de que os usineiros vão chiar. Mas não vai adiantar.

A título de comentário, tivesse essa medida sido tomada no final dos anos 1990 não haveria justificativa para o advento dessa absurdo nacional chamado carro flex. Poderíamos ter carros a etanol verdadeiramente eficientes, muito mais que nos anos 1980/meados dos 1990, os anos do etanol.

Uma fonte da indústria automobilística contou ao AE que o trabalho de calibração de um carro flex sai por 1 milhão de reais, isso para cada versão, não só o modelo. Como eu disse em outro post, adivinhe quem paga por isso? A indústria automobilística é que não é.

Outra questão coberta pela Medida Provisória não menos importante é o limite inferior da porcentagem de etanol na gasolina ter baixado 2 pontos porcentuais, de 20 para 18 por cento. O caminho é esse! Dos habituais 25 por cento é uma queda apreciável. Agora é pressionar e esperar que baixe para a porcentagem-padrão mundial, 10 por cento. O AE vai cuidar disso, com toda certeza.

Sobre essa redução de etanol na gasolina é muito provável que venha reclamação dos ecochatos, de que vão aumentar as emissões de gases nocivos (monóxido de carbono, hidrocarbonetos e óxidos de nitrogênio) e de dióxido de carbono – o planeta vai aquecer, que horror! A reclamação é tão certa quanto noticiar na Semana Santa que o preço do bacalhau está pela hora da morte…

A maldição energética brasileira sofreu um duro golpe desta vez. Regozijemo-nos todos com isso.

Fonte: AUTOentusiastas

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