A indústria de multas

É notório como estão proliferando pelo país os populares pardais, os equipamentos capazes de medir a velocidade de um veículo na pista na qual trafega e com isso emitir uma multa caso o mesmo esteja se deslocando em uma velocidade superior àquela determinada pela autoridade de trânsito.

O discurso ao qual estamos acostumados a ouvir é que o excesso de velocidade é o principal responsável pela morte de milhares de pessoas no trânsito brasileiro, daí vem a desculpa dos governantes em tanto investimento na área de fiscalização eletrônica. Basta tentar lembrar quantos radares existiam em sua cidade há cinco anos.

Mas, vamos ser realistas, o problema não está no excesso de velocidade, está na incapacidade dos nossos motoristas. Todo o processo envolvido no processo de “tirar carteira” é longe de atestar, de fato, que uma pessoa está apta a dominar um carro, seja em altas ou baixas velocidades. Tanto é verdade, que já existem instrutores e empresas dedicados ao trabalho de formar motoristas de verdade, após serem aprovados em todo o teatrinho oficial dos DETRANs.

Um motorista que conhece de fato um veículo consegue facilmente levá-lo a qualquer velocidade com segurança, avaliando as condições para fazer isso. Bem como será capaz de evitar os acidentes mais comuns, presentes no nosso dia a dia, e que por isso mesmo não aparecem nos telejornais diários: Conversões proibidas, mudanças de faixa inadequadas sem consulta ao retrovisor, curvas que são feitas de qualquer maneira, sem respeitar as faixas entre outros diversos erros.

Até mesmo o ajuste da posição de dirigir, respeitando a distância do corpo para o volante e pedais e correta utilização do cinto de segurança e dos espelhos retrovisores, vejam dicas do Bob Sharp no vídeo abaixo. Detalhes, que a maioria dos motoristas é incapaz de observar, e que também são os mesmos motoristas que sem conhecimento da máquina, tentam ultrapassagens impossíveis, acessam curvas em rodovias em velocidades incompatíveis e não conseguem dominar o veículo em situações de emergência.

Ainda com o falso discurso de preocupação com o bem-estar do cidadão, o processo de habilitar-se como motorista se torna cada vez mais burocrático, logicamente mais caro com uma enorme sucessão de taxas. Um exemplo recente, o decréscimo na validade da ficha de candidato, agora, se você não concluir as diversas etapas em menos de um ano, e não cinco como antigamente, o pretendente a motorista terá que refazer todo o processo, e claro, pagar novamente todas as taxas.

Se os governantes estivessem realmente preocupados com a qualidade do trânsito, e não apenas preocupados em aumentar a arrecadação por meio de fiscalização eletrônica, não surgiriam manobras como alterações de velocidade sucessivas em uma mesma via, e mesmo em rodovias. Você poderá estar circulando normalmente pela BR-381, com velocidade regulamentar de 110 KM/h e subitamente ser surpreendido por uma placa com uma velocidade de 90 KM/h. É bom que você seja esperto e realmente se surpreenda, pois os radares ficam estrategicamente posicionados em locais como esse, para multar o motorista de incauto e de boa fé.

Em São Paulo a situação está tão absurda, que mereceu um longo texto de Bob Sharp a respeito do tema no blog AutoEntusiastas. A autoridade de trânsito da capital paulista, a CET (Companhia de Engenharia de Tráfego), vem reduzindo sistematicamente a velocidade regulamentar de diversas vias da cidade, prejudicando principalmente a fluidez de trânsito, como também multando os motoristas já habituados com as velocidades, já reduzidas, dessas avenidas paulistanas.

Em Belo Horizonte, um grande exemplo da burrice, e ao mesmo tempo da má fé do Estado em multar os motoristas, acontece na Avenida Carlos Luz, a popular Catalão, na altura do shopping Del Rey. Ali, foi instalado recentemente, radares nos dois sentidos, a velocidade regulamentar definida pela autoridade de trânsito no trecho, 60 KM/h.

Passo por ali diariamente, indo e voltando do trabalho. É notório que a fluidez do trânsito foi prejudicada, isso em uma pista de três faixas, com bom piso, antes do radar, era tranqüilo passar pelo semáforo, ainda verde, logo a frente quando no sentido centro, hoje conseguir isso é difícil. Como existe este semáforo e também uma passarela no local, até mesmo a desculpa de preocupação com os pedestres não é aceitável.

O trânsito está cada dia pior, e se faz necessário acabarmos com essa idéia que a velocidade é a responsável pelas mortes no trânsito. A responsabilidade é dos motoristas, e do Estado que avalia de forma muito superficial os candidatos, ao que parece, apenas se preocupando em lucrar com as taxas durante o processo de formação do condutor e depois em ter mais um “multável” no trânsito. Não aceite essa idéia, e discuta com seus amigos sobre isso.

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