Spacefox I-Motion

Acho que foi em dezembro, tive oportunidade de circular por alguns vários quilômetros dirigindo um Volkswagen Spacefox. Não gosto de carros com toda aquela altura em relação ao solo, menos ainda com aquela coluna A enorme, típico dos carros mais modernos que tanto prejudicam a visibilidade lateral, em cruzamentos então, é um inferno.

Mas o que mais me motivou a pedir as chaves do carro foi ele ser equipado com a versão Volkswagen do sistema de acionamento eletrônico da caixa de marchas, aqui batizado de I-Motion. Como se sabe, o sistema foi desenvolvido pela Magnetti Marelli, empresa do grupo FIAT, que além de modelos Volkswagen, também equipa modelos do fabricante italiano e também da americana Chevrolet, respectivamente batizados comercialmente de Dualogic e Easytronic.

Conversando com pessoas que já dirigiram carros de câmbio automatizado dos três fabricantes, as mudanças se limitam ao ajuste eletrônico das mudanças de marchas, sendo perceptível por exemplo, um melhor comportamento entre os últimos e primeiros FIAT Stilo equipados com o sistema, questão de ajuste. Também se comenta o fato de a Volkswagen ter o melhor acerto, talvez por ter sido a última das três a embarcar as novidades, agora presente nos modelos Fox, Spacefox, Polo e Gol.

Partindo do princípio que nunca havia dirigido um automatizado, peguei a chave do Spacefox e fui dar uma volta. Não tive qualquer dificuldade em manobrar o carro para sair da garagem, e já na rua, de início tentei a manobra citada pelo Bob Sharp para sair cantando pneus: Deixei o câmbio posicionado em “N”, subi o giro e depois selecionei “D”, no instante que a primeira marcha foi selecionada o carro arrancou deixando uma marca de pneus no asfalto, legal!

O Spacefox era completo de tudo! Bancos de revestimento parcial em couro, ar-condicionado automático, sensores diversos entre os quais estava o de ré, que facilita as manobras em um carro tão ruim de visibilidade traseira. O rodar é macio, em parte em função do câmbio, mas é preciso se acostumar com alguns detalhes que tornam a marcha mais confortável.

Com o tempo, percebe-se que há um determinado espaço de giro que causa confusão no câmbio, entre reduções e avanços de marcha. Assim, aprende-se que eventualmente não é interessante acelerar um pouco para reduzir logo ali na frente, o que causa trancos. Muito lógico para quem já dirige com certa proficiência assim no câmbio manual, mas para quem considera que marcha “é só passar”, é mais fácil de aprender no automatizado.

Também é interessante do ponto de vista do conforto, uma vez que não acontece do motorista preguiçoso soltar a embreagem de qualquer maneira, o sistema acopla a embreagem de maneira suave, em reduções de marcha para ultrapassagens ele acelera o motor para engatar a marcha mais curta em um giro favorável. Um comportamento que certamente contribuirá para a maior durabilidade da embreagem, nesse caso, a mesma do câmbio manual.

Causa certa estranheza, e comum a todos automatizados, um ruído proveniente da pressurização do sistema hidráulico de acionamento de câmbio logo da abertura da porta do motorista. Mas depois que se toma conhecimento do motivo, você passa a nem perceber mais.

Como se tratava do modelo completo, além da seleção manual de marchas na alavanca, também havia a opção de seleção através de “borboletas” localizadas atrás do volante, que também abrigava controles do sistema de som e possui excelente empunhadura. Fiquei empolgado com isso no início, mas em minha avaliação é algo totalmente inútil para os automatizados.

Como se trata de um câmbio manual e com acionamento automatizado, é lento, e a ilusão das trocas de marchas velocíssimas, tal qual um F1, se traduzem em decepção. Troquei uma dúzia de marchas por ali e me esqueci da possibilidade. No caso do Spacefox, a alavanca muito baixa em relação à posição de dirigir também me fez ignorar a possibilidade da seleção manual através dela. O divertido mesmo era deixar tudo por conta do automatismo, aprendendo alguns pequenos detalhes para tudo ficar em sintonia.

O câmbio se vale de um mostrador no centro do painel de instrumentos para informar a marcha selecionada, o modo de seleção e caso a tecla “S”, de modo esportivo, seja selecionada e também se o câmbio está em seleção manual ou automática. Muito fácil de dirigir, perfeito para quem está cansado de trocar de marcha diariamente no trânsito das grandes cidades.

Já sobre o Spacefox, esquecendo o preço alto cobrado pela versão avaliada, completa, me pareceu um carro que cumpre facilmente o papel de carro familiar. Espaçoso e com um bom comportamento nas estradas, se mostrou também confortável e relativamente confiável para tocadas mais agressivas. A recente modificação de visual que a VW aplicou aos modelos da família Fox trouxeram um requinte de carro superior ao veículo. Andei com ele em um dia chuvoso e não gostei do funcionamento das paletas dos limpadores, a esquerda enorme e direita pequena demais.

Um carro que enxergava com certo preconceito, mas gostei de dirigir.

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