Chevrolet Vectra

Houve um tempo onde eu não tinha muita preocupação em justificar minhas opiniões a respeito de muita coisa, simplesmente não me preocupava saber que outras pessoas poderiam ter opiniões diferentes. O tempo foi passando e passei a me preocupar um pouco mais em argumentar determinadas opiniões, por ter maior prazer em debater e trocar informações.

É com esse objetivo que vou começar a detalhar aqui no blog minhas opiniões sobre “os carros que me provocam vômito”, uma maneira humorística e sarcástica de dizer que determinado modelo está no final da minha lista de desejos automotivos, seja por aspectos técnicos, mercadológicos ou simplesmente quando “meu santo não bateu com ele”, no caso, o carro.

E o primeiro abordado é o Vectra hatch, batizados com duas siglas: GT e GT-X. Na verdade, o Vectra hatch seria o quarto veículo da série, mas foi o primeiro que levantou alguma discussão no Twitter, que é onde venho escrevendo sobre essas opiniões.

O Vectra chegou ao Brasil em 1993 com a missão de substituir o Chevrolet Monza, já veterano, e que apesar disso mantinha um grande número de consumidores fiéis, que até o início das importações, vinham no médio Chevrolet a tradução de beleza, conforto e modernidade.

Todas estas qualidades foram imediatamente percebidas pelo mercado em seu substituto natural, que inclusive foi introduzido em um segmento acima do Monza, uma manobra da Chevrolet para migrar os seus consumidores de Monza para um veículo mais caro.

Sucesso absoluto, o Vectra chegou às lojas versões GLS e CD e um pouco mais tarde ainda foi introduzida a versão esportiva GSI, com um inédito motor 2.0L e cabeçote 16V e moderníssima injeção eletrônica SFI.

Após o grande sucesso, a General Motors passou a fabricar em 1996 a segunda geração do Vectra, demonstrado grande sintonia com o braço Alemão, a Opel, que havia lançado o mesmo modelo apenas alguns meses antes. Já com a morte iminente do veículo que veio suceder, o Vectra passou a ser oferecido também na versão GL para finalmente entrar no mercado atendido pelo Monza. Já em 1998 com o anúncio do fim da fabricação do Omega e o Vectra passou a ser oferecido também como modelo top de linha em produção no Brasil, recebeu motorização 2.2 16V e uma enorme lista de opcionais poderiam equipar o modelo.

Durante período entre 1996 e 2000, o Vectra experimentou o seu maior sucesso no mercado brasileiro, a partir de 2001, começou a perder vendas para os asiáticos Honda Civic e Toyota Corolla. Parte do problema veio da falta de preocupação da GMB em mantê-lo atualizado com o modelo alemão, como havia sido a regra na década anterior. Ao mesmo tempo o Astra chegou remodelado em 2003 o que fez as vendas definharem ainda mais, inclusive entre os clientes fiéis da marca.

O Vectra saiu de linha no Brasil em 2005, ainda sem apresentar as alterações que recebeu da Opel na Alemanha em 2002. Uma edição especial de 1.000 unidades, denominada “Collection” foi criada, assim como aconteceu com o Opala em 1992, mas nem de longe o impacto da despedida foi o mesmo, foi como se fosse um moribundo esperando a extrema unção.

Despediu-se temporariamente, pois voltaria de forma cômica ainda em 2005.

A Chevrolet apresentou o novo Vectra em duas versões apenas, Elegance e Elite e com apenas duas opções de motores: O já conhecido 2.0L de antes, agora Flex e para a versão topo foi escolhido um motor 2.4L e cabeçote contando 16V. O nosso modelo, ao invés de ser o mesmo modelo alemão como acontecia até a versão anterior, passou a ser um novo carro, porém pior.

Pior porque o Vectra passou a ser um modelo tipicamente de terceiro mundo, com aproveitamento de peças e plataformas de outros modelos. Um exemplo é a suspensão traseira independente do modelo anterior, que para o carro atual foi adotado o simplório esquema de eixo de torção, o mesmo do Astra. Vale notar inclusive que o nosso Vectra chegou a ser exportado para alguns países do leste europeu com o nome Astra gravado no porta-malas, vendido como Astra sedan. Não tenho certeza se ainda existe essa exportação.

Como se já não fosse suficiente, a Chevrolet ainda arriscou mais sua tradição, que desde a década de noventa vem sofrendo duros golpes: Em 2007, foram lançados os Vectras “GT” e “GT-X”, carros que de Vectra só possuem o emblema, pois na verdade, basicamente, o visual é o mesmo do Astra europeu lançado em 2004, e hoje já descontinuado.

Percebam ainda a enorme falta de respeito do fabricante brasileiro em batizar um veículo de rua, defasado em relação àquele que o originou com a sigla GT, que transpira esportividade, desempenho e tecnologia. Sem falar no nome Vectra, um açoite.

Felizmente, o mercado tem demonstrado um pouco de maturidade com relação aos produtos da GMB. A cada novo ano modelo, o atual Vectra vem perdendo equipamentos e ficando mais barato, uma clara evidência que o modelo não deu certo. Prejuízo financeiro ao fabricante? Dificilmente ocorreu, já que o carro tem muito pouco de exclusivo. Prejuízo à marca, é outro papo.

Voltando ao início: Os Vectras “GT” e “GT-X” me causam vômito. Isso acontece pela falta de respeito pelo nome Vectra, pela falta de respeito ao consumidor Chevrolet.

E vamos nos preparar, já que a Chevrolet está em fase de desenvolvimento de novos produtos. Já foram flagrados pelo Brasil uma carroceria de Corsa europeu. Alguns dizem que o Corsa alemão será o nosso futuro Astra, outros dizem que um novo produto será desenvolvido com base no modelo Opel. Em qualquer uma das alternativas acima, considero uma atitude lamentável.

Acredito que o Brasil tenha espaço para veículos como o novo Opel Insignia e Astra e Corsa, similares aos alemães. Produtos baratos precisam chegar ao mercado? Precisam! No entanto, os nomes de veículos de sucesso não podem ser utilizados como se fossem emblemas na prateleira, é preciso respeito. É isto que mantém o nome da marca forte na cabeça das pessoas.

Um sucessor precisa possuir, no mínimo, o mesmo nível daquele modelo que está sendo substituído. Foi assim com o Opala e Omega, Chevette e Corsa, Monza e Vectra. Todos sabem que sou apreciador de veículos Chevrolet, porém, desde o ano 2000 está difícil comprar qualquer produto com a gravata dourada.

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2 comentários em “Chevrolet Vectra

  1. Ih Tales, acho que o Agile o Hagi comentou por ai que a unica coisa boa nele é o nome! Mas não sei, não tive oportunidade de dirigi-lo – e também nao tenho uma percepção critica tão boa assim pra poder opinar.

    Mas que o Hagi, a cada post, me surpreende mais com sua visão de mercado – se bobear citarei ele em alguma prova de Marketing minha! 😀

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