Chevrolet Agile e o mercado

A Chevrolet lança no Brasil em algumas semanas o Agile, veículo que se encaixa em mais um nicho de criado no mercado de automóveis brasileiro, o de compactos premium. Sem considerar o produto em si, o lançamento é bastante oportuno e talvez chega até em atraso no mercado. Outros fabricantes já descobriram o nicho há algum tempo, e oferecem bons produtos: Fiat Punto e Volkswagen Polo são os melhores exemplos.

Há também o bom Chevrolet Corsa , da geração D, já defasada em relação ao modelo original europeu. Aliás, este carro no Brasil só não obteve uma melhor participação no mercado por um erro estratégico da filial brasileira, que manteve durante vários anos um abismo na linha, oferecendo apenas os motores 1.0 e 1.8 como opções. Um anêmico demais para o modelo, o outro, um tanto beberrão quando comparado aos concorrentes.

Então quando começaram a surgir os primeiros comentários a respeito do novo carro, eu como sou apreciador da marca, fiquei empolgado, afinal a Chevrolet vem amargando anualmente decrécimo de suas vendas. Porém, à medida que novas informações foram surgindo, minha esperança foi se perdendo. Isso porque o Agile é na verdade, uma nova roupagem do nosso antigo Corsa, lançado em 1994, àquela época, quase em total sincronismo com o lançamento europeu.

Como sinto muitas saudades da década de noventa, mas não é isso que vamos discutir aqui.

Quando é dito que o carro é o mesmo, pode pintar a dúvida na cabeça de pessoas que não sejam muito ligadas ao mundo do automóvel. Tanto é, que o Celta é também o mesmo Corsa de 1994, mas muita gente não tem esse conhecimento e o carro é um sucesso de vendas. Para facilitar o entendimento, a respeito de estruturalmente o Corsa de 1994 e o Agile de agora são os mesmos carros, basta comparar as fotos do interior dos dois veículos:


Chevrolet Agile

Chevrolet Corsa

Percebam com atenção dois detalhes, lembrando que olhos mais bem treinados irão perceber mais: Disposição dos pedais de embreagem e freio, e a invasão do desenho das caixas de roda dianteiras no habitáculo.

Esquecendo a posição dos pedais, essa invasão das caixas de roda no interior do Corsa é um dos principais defeitos do modelo, qualquer pessoa de maior estatura tem dificuldades de dirigí-lo por este motivo. O problema foi herdado pelo Celta em 2000 e agora aparece no Agile. Uma clara evidência que estruturalmente, os três carros compartilham a mesma plataforma. Uma maneira de economizar algum dinheiro, dispensando a engenharia de uma plataforma totalmente nova.

Fazer lançamentos mascarados com artimanhas do tipo não é exclusividade da Chevrolet, no mercado brasileiro isso é bastante comum. O que mais me deixa triste é ver que na década passada, a mesma Chevrolet nos trouxe automóveis sintonizados com o que havia de melhor na Europa.

Começando pelo Corsa, passando pelos brilhantes Omega e Vectra. Veículos que cresceram e se modernizaram na Europa, e que segundo a fabricante não reúnem condições que viabilizem o lançamento de modelos similares em nosso país.

Infelizmente, tenho que concordar. Imaginem quanto custaria um Astra ou um Insígnia (substituto do Vectra) no nosso mercado hoje. Mas mesmo com todos estes detalhes em mente, seria possível a Chevrolet definir uma melhor estratégia para o mercado brasileiro? Eu acredito que sim.

A GM tem em seu leque de modelos pelo mundo, veículos que poderiam sem problemas suceder o Celta, carro de baixo custo e já extremamente defasado, seria talvez o caso de fabricarem aqui o Matiz, clique o link para conhecê-lo.

Subindo um degrau, haveria a necessidade de um carro para substituir o Corsa atual, já defasado em relação em uma geração se equiparado ao modelo europeu. Acredito que a Chevrolet brasileira reúne condições de fabricar o atual modelo aqui no país. Algumas unidades de teste já foram flagradas por aqui, mas não há previsão que ele será mesmo lançado. Uns dizem que será lançado com o nome de Astra, o que já deu errado aqui com o Astra Sedan sendo batizado no Brasil de novo Vectra, sacrilégio.

Sendo a General Motors, mesmo com todas as dificuldades que surgiram nos últimos anos, tenho certeza que o principal problema hoje da filial brasileira é não acreditar no mercado e lançar produtos modernos e que realmente fazem frente à concorrência. Até certo tempo, o nome Chevrolet vendia sozinho, e certamente parte das vendas ainda hoje acontecem por este motivo. No entanto, hoje com todo o bombardeio pra cima do nome Chevrolet, as coisas mudaram muito de figura, é preciso ser mais agressivo, como nenhum outro fabricante nacional.

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