As empresas e a produtividade

Na empresa na qual trabalho há dezoito meses, iniciaram um trabalho de aumento no bloqueio e restrição no uso de internet. Algo normal em qualquer empresa que precisa de ao mesmo tempo racionalizar o uso dessa ferramenta e também aumentar a produtividade dos funcionários.

Pontos aceitáveis do ponto de vista de gestão, mas eu com meu ponto de vista crítico e agressivo não posso deixar de escrever a respeito. Acho que sempre vou reclamar sobre certas coisas enquanto estiver no papel de funcionário. Mas vamos escrever sobre todo o contexto do caso.

Quando fiz entrevista para preencher a vaga de analista de sistemas, não fui informado sobre bloqueio de sites, mesmo porque esse bloqueio não havia para o setor de tecnologia da informação. Haviam abusos? Claro, sobretudo em sites que consomem absurdamente a conexão da internet como o Youtube, fora os downloads de arquivos em serviços ou sites de compartilhamento como Torrents e Rapidshare.

Do ponto de vista racional, aceitável que fossem bloqueados, desde que houvesse comunicação prévia, mas não foi assim que fizeram. De um dia para o outro você tenta utilizar um site e recebe a nada amigável mensagem de “Access Denied”. Aí você se pergunta: Há comunicação aqui?

Na verdade, não. E isso é muito óbvio quando você pensa na palavra comunicação e percebe que o mínimo como reuniões semanais com seu superior e colegas de trabalho não acontecem. Então você, além de ter um website bloqueado sem aviso, também não fica sabendo sobre os projetos em andamento, e, apesar de trabalhar ao lado de determinada pessoa, não faz a menor idéia sobre os trabalhos desenvolvidos por seu colega.

Você começa a perceber que comunicação realmente não existe, e se não existe para o desenvolvimento do seu trabalho, para bloquear um site que “não está em congruência”, também não haverá.

Mas, OK, vamos imaginar que a sua empresa ou chefia, não tendo alguma preocupação com comunicação, está preocupada em tornar o uso de internet mais alinhado com assuntos profissionais. Mesmo sabendo que bloquear o acesso aos meus sites do Omega Clube, Auto Entusiastas e afins só irão me tornar um funcionário menos produtivo ainda.

Então você se esforça e resolve passar adiante, afinal as regras podem mudar mesmo. Então percebo duas situações que me deixam profundamente irritados: Hipocrisia e tratamentos diferentes.

Meu chefe usa a internet, e grande parte das ferramentas de trabalho, incluindo também a mão de obra do setor, para fins pessoais. Ao mesmo tempo que não posso ler textos do Auto Entusiastas, seus sites sobre assuntos relacionados à pesca estão “bombando” na rede, incluindo aí vídeos no Youtube e anexos diversos via e-mail, afinal o mailbox dele no Exchange não tem limite… nice!

E houve um tempo em que eu me preocupava e não fazer ligações pessoais utilizando o telefone da empresa. No meu setor também existem tipos de bloqueio diferentes, não posso acessar o site SuperEsportes, mas outra metade da sala pode. Isso gera situações bizarras, como alguém comentar uma matéria publicada no site, e o otário aqui sem acesso ao site.

Há um velho ditado que diz, mais ou menos, o seguinte: Quanto mais você aperta, mais escorre entre os dedos. E não há verdade maior do que essa em assuntos como este de bloquear acessos de sites em empresas.

Pelo menos no meu caso, posso garantir isso, tenho momentos de brilhantismo quando estou satisfeito no meu emprego, quando estou em casa no banho e tendo idéias, quando posso relaxar e ler um prazeroso texto sobre automóveis na internet. O que mais me irrita e interfere minha produtividade hoje são as mensagens de “Access Denied” do proxy. Claro que existem meios de burlar, como webproxy, ssh tunneling e por aí vai, mas enche o saco.

Estamos de certa forma voltando aos Tempos Modernos de Charles Chaplin, é a linha de montagem atingindo os escritórios, com seus relógios de ponto e servidores proxy, sem falar que você trabalha sentado em uma baia de um metro e meio de largura, com uma ergonomia distante do ideal.

Imagino que empresas como o Google são o alvo de toda empresa no sentido de lucratividade, todos já tiveram oportunidade de ler sobre como é trabalhar nessa empresa. A palavra produtividade em empresas modernas como o Google não vem de investimentos em servidores proxy ou em relógios de ponto. Essas empresas simplesmente fazem o máximo para fazer seu funcionário se sentir parte integrante de suas engrenagens.

Você não tem horário, tem compromisso.

Você não deve ter metas, deve sim querer sempre fazer o máximo.

Concordo que nós brasileiros, pelo menos em sua grande maioria, não estamos preparados para trabalhar dessa maneira. Mas sinceramente, eu estou de saco cheio disso tudo. Pretendo um dia trabalhar assim, se é utopia ou não, vou pagar pra ver. 2010 me espera!

Anúncios

3 comentários em “As empresas e a produtividade

  1. Aqui do outro lado de cá as coisas são semelhantes e ao mesmo tempo diferentes.

    Pra começar ao ninguém bloqueia sites de internet aqui. Ao invés disso o proxy usa um web service pra avaliar a url e bloqueia se ela cair em uma das "categorias inadequadas". Você abre um site, beleza, clica em um link e pof: bloqueado. E o tal web service é esperto pra qualquer língua, ou seja, sites em português, francês, japonês, javanês, etc… tudo pode ser bloqueado no ato do acesso.

    Por outro lado, não há excessões, seja você programador, analista, faxineiro, CIO ou Domain Admin.

    Mas concordo plenamente que a produtividade não se atinge aumentando as restrições, e sim, envolvendo as pessoas ao máximo no negócio e nos processos. Ouvindo opiniões, implementando boas idéias, reconhecendo o valor das pessoas, oferecendo plano de carreira, e por aí vai… É assim que se mantém um time entusiasmado e ativo. Isso estimula produtividade, criatividade e o mais importante, faz com que as pessoas se sintam parte da empresa e querem contribuir para o crescimento do negócio, pois isso beneficia o seu próprio crescimento.

    Mas bem… muito disso é utópico com a massa de gerentes mal capacitados que comandam a maioria das empresas por aí… dá definitivamente pra entender porque vários grandes profissionais abrem suas próprias empresas assim que juntam o dinheiro suficiente. A pior coisas que existe é ser prisioneiro do seu próprio emprego.

    No mais, Geraes!

  2. Rapha, ótimo texto! Ao ler o seu relato, vislumbro uma ótima oportunidade, como profissional e empresa de comunicação. Afinal, a essência do problema de grande parte das empresas está nos processos de comunicação interna. De que adianta grandes eventos de motivação e integração se, no dia-a-dia, os funcionários, empregados ou colaboradores se sentem desrespeitados. As empresas precisam entender que as pessoas só se sentirão motivadas a partir do momento que perceberem que realmente fazem parte do processo. Em suma, nada que uma boa consultoria de comunicação para mostrar para as empresas como melhorar esses processos. Tem vaga ai???? Sinto que a sua empresa precisa dos meus serviços….

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s