ABS, airbags e a obrigatoriedade

O Brasil é um país maravilhoso, mas é comandado por uma corja que, sinceramente, me faz sentir raiva e às vezes até vergonha de ser brasileiro. A minha raiva quase sempre vem de casos de como aqui só se preocupam com a consequência e nunca com a causa.

O último exemplo é a obrigatoriedade de ABS e airbags nos veículos fabricados no país, nada pode ser mais inaceitável. O Brasil é um país onde a maior parte das rodovias estão em estado ruim de conservação, e mesmo as boas rodovias possuem erros gravíssimos de projetos e alguns outros erros que, na minha ignorância a respeito de engenharia, são inaceitáveis.

Vamos pegar dois “casos de estudo” de rodovias que passam por Minas Gerais, nas quais já dirigi por diversas vezes, a BR-381 entre Belo Horizonte e Vitória, no Espírito Santo, e a mesma rodovia, mas no trecho entre Belo Horizonte e São Paulo.

No trecho entre a capital mineira e a capixaba, a rodovia é de pista simples e até a cidade de João Monlevade, distante aproximadamente 120 km de BH, a difícil topografia mineira exige inúmeras curvas, a maioria bastante fechadas. A grande quantidade de aclives e seguintes declives e o intenso tráfego de caminhões pesados, fazem desse trecho um dos mais perigosos do país. O asfalto está em boas condições.

Já no trecho entre Belo Horizonte e São Paulo, a rodovia é duplicada e foi recentemente privatizada. Não trafeguei por lá desde as obras da concessionária foram iniciadas, mas em 2006 o asfalto estava em condições regulares, com alguns pontos de asfalto ruim na faixa da direita, onde há um maior tráfego de veículos pesados. Há um trecho bastante perigoso que é na serra de Igarapé, próximo a Belo Horizonte, onde existem bastante curvas fechadas.

O simples fato de a rodovia para São Paulo ser duplicada, já confere maior segurança e acredito que apenas isso já reduz drasticamente a ocorrência de acidentes. Mas como disse antes, existem problemas comuns:

É incrível, mas com todo o avanço da engenharia, no Brasil parece ser utopia as pontes serem no mesmo nível do asfalto. As curvas raramente possuem inclinação para reduzir a força que leva o carro a sair da tangência. Debaixo de chuva, raras são as curvas que não são possuem água atravessando na transversal, um perigo.

Na minha opinião, todas as rodovias que fazem ligação entre capitais e polos industriais deveriam ser duplicadas. O IPVA deveria ser extinto e as rodovias entregues à iniciativa privada, com a criação por parte do governo de uma agência de controle e fiscalização do emprego dos valores arrecadados em pedágio, pessoalmente ficaria mais satisfeito.

Agora que já falamos de rodovias, outro grave problema: Como são preparados os motoristas do país. O sistema de avaliação é falho, não passa de um teatro ensaiado durante as aulas de direção. Sem falar que cursos de legislação e as avaliações médias e psicológicas são apenas maneiras de enriquecer certas pessoas, pois os dois processos são os mais cara-de-pau possível, principalmente a tal avaliação médica. A falta de preparo dos motoristas é tão evidente, que já existem empresas especializadas em ensinar pessoas inseguras a dirigir de verdade, uma vergonha.

Em minha opinião, o exame para tirar a carteira de motorista deveria ser realizado em uma espécia de autódromo, com condições de simular as reais condições de direção e também forçar o candidato a desviar de cones e etc, enfim, formar um motorista apto a encarar a guerra que é o trânsito atualmente.

Vale lembrar também que a inspeção veicular de veiculos nunca deixa o papel e entra em prática. É absurda a quantidade de veículos, pequenos e pesados, em péssima condição circulando por nossas ruas. Um perigo anunciado, esses carros devem ser retirados imediatamente de circulação. A fiscalização deveria ser mais inteligente, com adoção de tecnologias de leitura de placas de forma eletrônica. Nada pode ser mais fácil.

Mas, como nada disso é interessante para a máquina, acho que vamos continuar pagando IPVA e ao mesmo tempo assistir ao crescente número de estradas privatizadas e os postos de pedágio. Também vamos continuar pagando taxas para tirar pressão e responder meia dúzia de perguntas para sabermos se estamos aptos à dirigir.

E, o que é pior na minha opinião, vamos continuar assistindo autoridades falando de excesso de velocidade e imprudência como maiores causas de acidentes, o que é mentira. Um veículo como meu Omega, pode tranquilamente circular em uma rodovia em boas condições a 140 km/h. Já um veículo pequeno, a situação muda. E esse julgamento de segurança deveria caber ao motorista, limitar todos à mesma velocidade é burrice.

Vejamos também o uso da faixa contínua, que proibe ultrapassagens. Vemos muitas vezes na imprensa algumas ultrapassagens onde a reportagem condena o motorista pelo simples fato da ultrapassagem em faixa contínua. Ora, se eu estou trafegando a 100km/h e um caminhão está a 30km/h, o que me impede de fazer a ultrapassagem, desde que haja condições para tal? Não é uma faixa que vai determinar se uma ultrapassagem é segura, basta imaginar um carro fraco que roda a 100 km/h forçando uma ultrapassagem em um carro que trafega a 95 km/h, quem está a mais tempo na faixa contrária?

Pior do que isso, é assitir o governo aplicar, através de Leis, obrigatoriedade de itens como ABS e airbags. Que aliás é o tema desse texto, mas acabei me alongando em outros aspectos, afinal esse tema me irrita.

Nenhum ABS e airbag irá salvar vidas no país onde existem rodovias precárias, motoristas mal preparados, quando não bêbados. É mais uma vez o governo lavando suas mãos da responsabilidade de prover condições seguras ao cidadão, jogando o resultado dessa negligência nos colos da iniativa privada e do otário do cidadão, como sempre.

Como ficarão os carros da linha de entrada? Com ABS e airbags dianteiros, mas sem cintos de segurança de três pontos e encostos de cabeça para os passageiros que viajam no banco traseiro? Com ABS e airbags mas com pneus de medida 155 e sem limpador e desembaçador traseiro? Realmente, mais uma lambança vinda de Brasília, mas é até compreensível, já que por lá só viajam de avião e ainda rodam em carros de luxo, e tudo isso bancado por otários como eu e você.

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2 comentários em “ABS, airbags e a obrigatoriedade

  1. “E esse julgamento de segurança deveria caber ao motorista, limitar todos à mesma velocidade é burrice.” – não existe isso, meu amigo. Você acha que cada um tem discernimento pra saber a qual velocidade deve andar, levando-se em conta sua habilidade, peso do carro, condições da estrada, clima, relevo, temperatura? Lei é pra todos cumprirem, é assim que o mundo funciona.

  2. Lamentável, infelizmente tudo aqui funciona a base de tapar o sol com a peneira e tratar os sintomas e não as causas.
    Fico imaginando um freio ABS em uma estrada completamente esburacada ou em curvas mal desenvolvidas.
    Fico imaginando os custos extras e o mercado de air-bags “paralelos” que irão surgir pois um air-bag original é muito caro. Esses piratas ao ínvez de prover um item de segurança vão colocar uma arma no carro ou um item que não cumpre a sua função.
    Fico imaginando os fabricantes de air-bag que vão lucrar facinho com isso.
    Penso em tudo isso e imagino se algum dia ainda vou ver alguma coisa séria ser feita.
    O Brasil precisa investir em um transporte público e de cargas eficiente e de menor custo de manutenção ao longo prazo e deixar as estradas de rodagem para quem quer fazer um passeio ou curtir uma viagem diferente.
    Estradas ficou mais que provado ao longo dos anos que não serve para escoamento de produção.

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