Lei de Gérson?

Há algumas semanas lá no trabalho foi possível constatar mais uma vez como a “Lei de Gérson” é cada vez mais comum entre nós brasileiros, a ponto de o bom senso deixar a condição de bons princípios e passar a ser classificado como uma coisa de ingênua, para dizer o mínimo.

Pois bem, um colega nosso encontrou um telefone celular no ônibus que utiliza todos os dias a caminho do trabalho, até aí tudo bem, afinal, eu pensei, seria simples pegar o contato de alguma pessoa na agenda do aparelho e estabelecer contato para a devolução do mesmo, mas não! Ao invés disso, nosso personagem começou a se gabar da sua esperteza em encontrar o aparelho, inclusive chegando a dissecar as mensagens e fotografias contidas na memória do telefone, mostrando esse conteúdo para todas as pessoas da empresa, que na sua maioria vibravam com aquele achado.

Toda a situação começou a me irritar, não só pela falta de respeito pelas informações pessoais que estavam sendo expostas ali, mas principalmente, pela naturalidade com que a situação foi recebida pela grande maioria, meus colegas de trabalho. Sim, porque até o horário de almoço ninguém questionou o ato em si.

Então quando estávamos almoçando, eu e mais um colega solidário à minha opinião, começamos a questionar o comportamento das pessoas e do nosso personagem em si, e com isso recebemos a notícia que somos “bobos”, pois ninguém devolve nada encontrado na rua. Chegaram ainda a fazer uma comparação totalmente idiota: “Se você encontrar uma nota de R$100,00 na rua, você devolve?” Haja paciência, hein?

Depois de pensar isoladamente a respeito do assunto, o que levaria uma pessoa de boa instrução e formação escolar, com um bom salário e funcionário de uma empresa relativamente grande a ter esta atitude? A dita “Lei de Gérson” seria uma suspeita, mas acho que na realidade o que ocorre hoje em dia é uma inversão dos valores. As pessoas atualmente precisam de rótulos para qualquer coisa, assim como precisam de alguma forma de se destacar, seja positivamente ou não.

Então me parece que estamos em uma época que para fugir do lugar comum, é preciso tirar uma onda de esperto à custa de qualquer coisa, precisa tirar vantagem em qualquer situação para ser considerado “o cara”. Então hoje qualquer indivíduo que possui uma análise crítica mais bem fundamentada fica rotulada como “boba”. E ainda pior é que parece que esse comportamento está se tornando cada vez mais forte entre a juventude em geral, em todas as classes sociais. Que tipo de empresários e políticos vamos ter com essa geração de “espertos”?

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3 comentários em “Lei de Gérson?

  1. Pois é, meu caro Hagi. Sem querer posar de melhor que os outros, porque não somos, mas triste da sociedade em que pessoas que tentam agir bem e respeitar o próximo são mal vistas. No FotoCidadão já recebi vários comentários de pessoas que nos mandam “parar preocupar com a vida dos outros”, “deixar de ser otário”, etc. A gente segue lutando, cada dia mais desanimado, mas segue. Parabéns pelo post!

  2. O brasileiro é tão humilhado e achincalhado por um monte de coisas, que quando acontece algo assim enxerga como uma chance de se vingar, de aproveitar a sua vez de ser o esperto. Nesse caso aí é até diferente de uma nota “anônima” de 100 reais, porque celular você não tem a menor desculpa pra não devolver logo… esse sujeito é um palhaço ao tentar tirar vantagem disso, tomara que perca todos os documentos na rua, se lasque e depois fique xingando o governo.

  3. Hagi,Como vai meu caro? Também te parabenizo pelo post. Coragem para expor a sua opinião é o que está faltando a muita gente, principalmente quando ela pode te criar um problema de relacionamento com os colegas de trabalho. Compartilho da sua revolta com o acontecido. Também fico injuriado quando alguém toma esse tipo de atitude, usando como escudo fatos ou episódios onde aconteceram situações parecidas. Vivemos nesse país um “apagão da ética” e o mínimo que podemos fazer é dar bons exemplos, assim como o seu, que se rebelou diante dessa atitude inaceitável. Ô colega do Hagi (que eu não sei o nome), devolve o celular para o dono dele e pára de bisbilhotar a vida alheia! A pergunta que sempre deve ser feita: você gostaria se fosse com você?Abraço a todos.

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