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Automóveis, Chevette, Mecânica

Casos de correia dentada

Entre os vários motivos pelos quais eu gosto do Chevette, um é muito claro pra mim: Ele não empena válvulas quando por algum motivo a correia dentada deixa de acionar o comando de válvulas. Quantos casos de R$2000,00 de prejuízo você já ouviu?

Não sou um proprietário relaxado, até bem pelo contrário, porém, semana passada enfrentei pela terceira vez, problemas com a correia dentada do carro azul, o meu Chevette DL 1991. Nas três vezes em que tive problema, apenas uma me tirou do sério.

Na primeira vez, o problema aconteceu quando o carro estava com meu pai. Voltando do clube numa quinta-feira a noite, o carro não pegava após o motor apagar já bem próximo de casa. Ele me ligou esbravejando contra o alarme, que, segundo ele, impedia que o motor funcionasse.

Isso foi logo quando comecei a administrar a vida do Chevette, em 2005, e não tinha muita prática com mecânica. Porém quando cheguei ao local e vi que o motor não pegava, descartei a hipótese de ser o alarme. Conseguimos uma casa próxima para deixar o carro passar a noite e no dia seguinte o rebocamos até a oficina, o diagnóstico: Correia dentada.

Depois de trocada a correia e regulada as válvulas, busquei o carro na oficina e percebi como o funcionamento do motor estava mais linear, provavelmente o carro já estava um pouco fora de ponto de ignição, e a regulagem das válvulas deixou o motor silencioso. Paguei algo em torno de R$120,00 entre peças, reboque e mão-de-obra.

O tempo foi passando, já havia decidido pela restauração do Chevette, que me cativou devido ao notável comportamento em curvas e desempenho satisfatório em rodovias e boa média de consumo. Estava saindo de um Corsa Wind 1.0 que fazia médias de 13,5 km/L na cidade, mas o Chevette com seus 10,5 km/L me deixava mais satisfeito.

Entre o final de todo o processo de restauração do carro, e a troca da correia dentada, se passaram três anos, foi quando fui até Pitangui com o Chevette. Seria a primeira viagem para a terra natal do meu avô paterno pós-restauração. Meu irmão me acompanhou com seu Chevette turbo, a viagem estava sendo agradável, até que, enquanto passávamos pela cidade de Pará de Minas, a correia dentada perdeu o sincronismo pela segunda vez.

Fiquei profundamente irritado. Falei palavrões e chutei as rodas! Principalmente por saber que eu fui omisso, três anos haviam se passado desde a última troca, acho que me empolguei demais com o carro novo! Mas como um sinal de sorte em meio ao caos de ter o carro com problema mecânicos em uma cidade distante da oficina de sua confiança e em um pleno sábado ao entardecer, meu irmão tinha uma correia dentada usada no porta-malas do Chevette dele. Então ele procurou, e encontrou um eletricista que foi até o local me ajudar com a situação.

Minha relação com o eletricista foi tensa nos primeiros cinco minutos, quando ao chegar próximo, foi logo questionando se o problema era realmente com a correia dentada, chegou a tentar retirar a tampa do distribuidor para verificar alguma coisa, então eu disse: Cara, se você quiser apenas me empreste ferramentas que eu troco a correia. Acho que nesse momento ele entendeu o recado e se ateve a apenas trocá-la. Ele me cobrou R$50,00 pelo socorro. Valor aceitável devido às circunstâncias.

Lembro ainda que na viagem de volta o motor turbo do Chevette do meu irmão também deu problema, pois ainda era muito taxado e isso só foi definitivamente resolvido nessa quebra, com instalação de pistões do motor gasolina. Nessa visita à Pitangui fomos em três Chevettes: Meu pai e minha mãe foram no tubarão 77, meu irmão e a namorada no SE 87, eu e minha noiva no DL 1991. Apenas o Tubarão foi e voltou sem reclamar.

Semana passada, o terceiro caso: O Cruzeiro entraria em campo às 19 horas pela Copa Libertadores da América e Belo Horizonte ainda enfrentava uma greve dos motoristas de ônibus. Moro próximo ao estádio e já dava para imaginar o caos que seria chegar em casa naquela quarta-feira.

Por este motivo, resolvi dar uma volta maior, para sair do trânsito pesado e conseguir chegar em casa a tempo de pegar pelo menos parte do primeiro tempo do jogo. Subi a Via Expressa, peguei a Rua Delta e fui pela BR-040 para então entrar na Via Expressa de Contagem. Seria ideal, porém, quando deixei a pista principal da BR-040 para pegar o acesso a Via Expressa, desenvolvendo uma velocidade de uns 130 KM/h o carro perdeu o sincronismo da correia.

Mas, como agora já tinha algumas horas de oficina mecânica, não fiquei nervoso, e muito menos gastei dinheiro. Liguei pra casa e pedi ao meu pai que levasse a caixa de ferramentas e uma correia dentada, agora sempre temos uma correia guardada em casa.

Fiz a troca da correia ali mesmo, na rua. É um processo simples no Chevette, a ordem de trabalho é basicamente a seguinte:

- Retire as mangueiras do radiador.
- Retire o radiador.
- Retire a grade do radiador.
- Retire a hélice do radiador.
- Solte o parafuso de regulagem do alternador.
- Retire a correia do alternador.
- Retire a polia da bomba d’agua.
- Retire a polia do virabrequim (árvore de manivelas).
- Retire a capa da correia dentada.
- Afrouxe o parafuso de regulagem do rolamento tensionador.
- Retire a correia.

Para montagem, basta inverter todo o processo.

Lembre-se de engrenar o carro em quinta marcha para soltar e montar a polia do virabrequim.

Será necessário também colocar o motor no ponto de ignição correto, o procedimento é o seguinte:

A engrenagem superior tem um buraco, e este deve estar alinhado com o parafuso da capa da correia. Caso prefira, use uma chave para sincronizá-la corretamente.

A polia inferior tem algumas marcas que devem ser observadas, ficam na parte externa, e o risco central deve ser sincronizado com uma seta existente na tampa do retentor dianteiro do eixo virabrequim. Cuidado, em muitos Chevettes eu vejo que essa seta está torta, e isso influi diretamente no ponto correto.

Um mecânico experiente consegue regular o ponto afrouxando o parafuso do distribuidor e girando a peça no sentido horário (avança o ponto) ou anti-horário (atrasa o ponto). Porém fazer isso pode ser arriscado, e somente mecânicos mais experientes e bons de ouvido devem fazer.

Inspecione os sulcos da engrenagem inferior. Caso você perceba que ela está gasta, ela pode cortar os dentes da correia, sendo necessária sua substituição. A engrenagem superior dificilmente tem esse problema, portanto você pode comparar a situação da inferior com ela.

Inspecione ainda o rolamento esticador da correia, gire manualmente e caso ele esteja fazendo barulho ou vibrando, substitua.

Caso você esteja fazendo o serviço em uma oficina mecânica, peça que seja regulado o ponto com uma pistola, um equipamento próprio e mais preciso que o trabalho manual. Também com o equipamento é possível verificar se o avanço do distribuidor está em funcionamento.

E no Omega? Bem, felizmente o motor 4.1 não tem correia dentada, o acionamento do comando de válvulas pelo virabrequim é realizado por engrenagens. Eu até sei, na teoria, como sincronizar as engrenagens, mas não tive oportunidade de tornar a teoria em prática.

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Sobre Raphael Hagi

Analista de sistemas e suporte Microsoft com vasta experiência em desenvolvimento de aplicativos web, envolvendo desenvolvimento de rotinas do lado do servidor, e instalação e manutenção de servidores web Windows Server.

Discussão

3 comentários sobre “Casos de correia dentada

  1. Parabéns! Muito bem explicado.

    Publicado por Arlindo | 14/03/2012, 07:04
  2. obrigado dei valor explicaçao

    Publicado por cinon | 11/06/2012, 12:46

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